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No CCI Vovó Ziza, alfabetização transforma a vida de idosos

Aos 70 anos, a aposentada Genir Maria de Jesus comemora uma conquista que transformou sua rotina: aprender a ler. Frequentadora do Centro de Conviv...

06/04/2026 às 10h32
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Campo Grande - MS
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Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS

Aos 70 anos, a aposentada Genir Maria de Jesus comemora uma conquista que transformou sua rotina: aprender a ler. Frequentadora do Centro de Convivência do Idoso (CCI) Vovó Ziza, ela faz parte do grupo de idosos que têm encontrado, por meio das oficinas de alfabetização e de espanhol, mais autonomia, autoestima e qualidade de vida.

Por anos, o trajeto de volta para casa foi um desafio. Sem o domínio do alfabeto, Genir tinha dificuldade em identificar as linhas de ônibus e dependia da ajuda de outras pessoas, o que frequentemente a levava ao destino errado. “Mesmo com a ajuda das pessoas eu peguei muito ônibus errado”, recorda dona Genir.

Hoje, com o aprendizado retomado após uma infância dedicada ao trabalho na lavoura, ela não apenas consegue se orientar melhor, como também trilha um novo caminho de independência.

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No CCI Vovó Ziza, as oficinas vão além do conteúdo pedagógico. Elas representam uma oportunidade para que idosos retomem estudos interrompidos e desenvolvam habilidades essenciais para o dia a dia.

As atividades são destinadas exclusivamente aos idosos já inscritos nas oficinas. Na alfabetização, o foco está na autonomia, com aulas organizadas conforme o nível de aprendizagem: a turma inicial se reúne às segundas e quartas-feiras, enquanto a turma avançada tem encontros às terças e quintas-feiras.

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Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS

O ensino é individualizado, respeitando o tempo de cada aluno, já que muitos chegam em estágios diferentes de aprendizado. Segundo a professora Cristiane Bonfim, o objetivo central é garantir que o idoso tenha autonomia mínima para tarefas cotidianas, como assinar o nome ou ler uma notícia. “É uma sensação maravilhosa participar de uma transformação da vida de alguém. Quando pego uma pessoa que a vida inteira usou a digital e hoje vejo ela tendo a dignidade de assinar o próprio nome, sinto muito orgulho”, afirma a educadora.

A turma atual, com 17 alunos, deve encerrar o ciclo no meio deste ano com uma formatura simbólica, marcando a conquista da escrita e da leitura básica.

A história de dona Genir reflete esse processo. Frequentadora do centro há mais de dez anos, ela decidiu aprender a ler após o falecimento do marido e o incentivo da filha, para superar dificuldades que a acompanhavam desde a infância na lavoura. Hoje ela já escreve seu nome e copia palavras com mais facilidade, servindo de exemplo para seus quatro netos.

O incentivo familiar também foi o motor para dona Tereza Canuto, de 85 anos. Motivada pela irmã mais velha, Noêmia, ela buscou a oficina para perder o medo de escrever. “Antes, me dava uma tremedeira. Agora eu já escrevo sem medo, sem nada”, relata Teresa. Para ela, o tempo passado no CCI é um refúgio mental. “As horas que a gente fica aqui refrescam a cabeça, parece que a gente dá um tempo para a gente mesmo”, disse.

Conexão com o mundo

A oficina de espanhol amplia ainda mais essas possibilidades. As aulas acontecem às segundas e quartas-feiras e também são voltadas exclusivamente para alunos previamente inscritos.

Ministrada pela técnica de Ensino Superior em Letras, Letícia Gentelini, a atividade trabalha a conversação e a compreensão gramatical básica, com apoio de métodos lúdicos, músicas e atividades em grupo. A iniciativa dialoga com a realidade regional e o contexto da Rota Bioceânica.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS
Foto: Reprodução/Prefeitura de Campo Grande - MS

Para Letícia, o interesse dos alunos superou as expectativas iniciais. “Saber pelo menos o básico da língua espanhola será importante, pois vamos receber pessoas de diversos países por conta da Rota Bioceânica. É muito legal os alunos, mesmo na terceira idade, saberem se comunicar. Eles me surpreendem a cada dia e estou muito feliz porque eles são muito espertos e interessados”, destaca a técnica.

Entre os alunos de espanhol, a ex-agente de trânsito Dilma Moreira encontrou no curso a chance de se comunicar melhor em suas viagens anuais para visitar a filha nas Ilhas Canárias. “Eu já conseguia me virar na Espanha, mas estou aprendendo o jeito certo de falar agora. Vai ser muito útil para as minhas próximas viagens”, explica Dilma.

Já o senhor Roberto Suzuki, veterano do CCI há 11 anos, leva o aprendizado com bom humor. “O papagaio velho aprende a falar? Aprende! Eu escolhi a oficina certa para continuar em movimento”, brinca Roberto.

Mais do que espaços de aprendizado, as oficinas do CCI Vovó Ziza se consolidam como ferramentas de inclusão, convivência e promoção da autonomia na terceira idade.

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