
Com o aumento de consumo de peixes durante a quaresma e, em especial, na Semana Santa, piscicultores beneficiados com ações da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF) comemoram o incremento da renda. Em 2025, SAF distribuiu cerca de 2,6 milhões de alevinos (peixes recém-nascidos), beneficiando aproximadamente 2,6 mil famílias em 54 municípios, com investimento de quase R$ 400 mil.
Nos três primeiros meses de 2026, já foram entregues mais de 1 milhão de alevinos, indicando que o volume anual deve superar o do ano anterior. A distribuição segue calendário específico: inicia entre outubro e novembro, pausa em dezembro e é retomada em janeiro, com entregas até maio.

Com base na distribuição de 2,6 milhões de alevinos e taxa média de sobrevivência de 70%, a produção pode ultrapassar 1,1 milhão de quilos de peixe em cerca de seis meses. A estimativa é de geração de mais de R$ 13 milhões em renda bruta, com média mensal de R$ 840 por família.
Além da entrega de alevinos, a SAF atua na estruturação da cadeia produtiva. Em Demerval Lobão, está em andamento a implantação de uma unidade de beneficiamento de pescado, atualmente na fase de aquisição de equipamentos. A Secretaria também apoia a comercialização por meio dos programas de Alimentação Saudável (PAS) e de Aquisição de Alimentos (PAA). Em 2025, foram adquiridas mais de 160 toneladas de peixe, com investimento de cerca de R$ 3 milhões, beneficiando mais de 61 mil famílias em 106 municípios.
Outro eixo é o subsídio na conta de energia para piscicultores. Em 2025, mais de 980 produtores, em 47 municípios, foram atendidos, com investimento de R$ 5,5 milhões. A produção é baseada, especialmente, em pequenos reservatórios e tanques escavados. A espécie mais distribuída é a tambatinga, adaptada a sistemas de produção simplificados.

Segundo o superintendente de Ações de Apoio à Agricultura Familiar, Clébio Coutinho, a política é voltada principalmente a pequenos produtores e tem impacto direto na economia rural. “É uma ação direcionada ao piscicultor de menor escala, que produz em estruturas simples, mas com potencial de geração de renda”, afirmou.

Clébio Coutinho também destaca que o apoio vai além da entrega de alevinos. “A Secretaria atua em várias frentes, desde a doação dos alevinos até o subsídio de energia e o apoio à comercialização, garantindo condições para que o produtor consiga não apenas produzir, mas também vender”, completou. Para o gestor, a ampliação dessas ações tem contribuído para consolidar a piscicultura como alternativa econômica no Piauí.
O piscicultor João Batista Neto, da localidade Marimba, em Demerval Lobão, relata resultados positivos após receber 7 mil alevinos. “Iniciei o processo de engorda e, até agora, não tivemos perdas. Os peixes já estão com cerca de 40 gramas”, disse. Segundo ele, a iniciativa tem impacto direto na produção. “Esse apoio faz diferença, principalmente para quem trabalha com estrutura menor. A gente consegue ampliar o cultivo e ter mais segurança para investir”, afirmou. “Estou satisfeito com o resultado até aqui e a expectativa é muito boa para os próximos meses”, concluiu.
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