
Celebrado em 27 de março, o Dia Mundial do Teatro foi criado em 1961 pelo Instituto Internacional de Teatro da Unesco, com o objetivo de difundir a importância dessa linguagem artística e incentivar sua presença na vida das pessoas. Na mesma data, o Brasil comemora o Dia do Circo, em homenagem ao palhaço Piolin, símbolo da arte circense no país, reforçando o papel do riso, da imaginação e do encantamento na formação cultural de gerações. Em Sergipe, o Governo do Estado, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap), tem atuado para que teatro e circo estejam cada vez mais próximos do cotidiano da população, com ações de fomento, descentralização e democratização do acesso às artes cênicas.
Para o presidente da Funcap, Gustavo Paixão, o investimento em artes cênicas é resultado de um conjunto de ações articuladas. “Nosso compromisso é garantir que o teatro e o circo estejam presentes em diferentes momentos da agenda cultural do estado, com editais, apoio à circulação de grupos e espaços estruturados para as apresentações. Quando a gente leva espetáculos gratuitos para perto da população, seja na capital ou no interior, a gente está formando público e fortalecendo o trabalho de artistas sergipanos”, afirmou.
Vilas Temáticas democratizam acesso às artes
Nos últimos anos, as Vilas Temáticas realizadas na Orla da Atalaia – Vila da Criança, Vila do Natal Iluminado, Vila da Páscoa e Vila do Forró – passaram a contar com um espaço fixo dedicado às artes cênicas, ampliando o contato de crianças, jovens e adultos com teatro, circo e outras linguagens artísticas.
Em 2025, por exemplo, o Teatro da Vila do Forró recebeu mais de 100 espetáculos apresentados por cerca de 25 grupos circenses, teatrais e de dança ao longo de 60 dias de programação, com sessões diárias gratuitas para uma plateia de até 130 pessoas, em ambiente climatizado, acessível e com intérpretes de Libras em parte das apresentações. A iniciativa, que contou com investimento específico de 322 mil reais para os grupos de artes cênicas do Teatro da Vila do Forró, se soma a outras ações do Governo do Estado voltadas à circulação de espetáculos e ao fortalecimento de companhias sergipanas, com destaque para produções voltadas ao público infantojuvenil, circo, teatro de bonecos e intervenções de rua.
O incentivo e a ampliação do espaço para o circo nos eventos culturais têm chamado a atenção inclusive de grupos de palhaçaria de outros países, como é o caso do Circo Rueda, formado por artistas venezuelanos que se fixaram em Aracaju há cerca de quatro anos. Desde então, o grupo vem realizando apresentações e oficinas em diversos projetos promovidos pelo Governo do Estado, com destaque para as Vilas Temáticas.
“Somos artistas de rua e o Circo Rueda, criado há mais de 15 anos na Venezuela, já passou por vários estados do Brasil antes de chegar a Aracaju. Aqui fomos muito bem acolhidos pelo público, pelos grupos de circo e pelas políticas culturais, que abriram espaço para o nosso trabalho nas vilas, nas escolas e em projetos como a Lei Aldir Blanc e o ponto de cultura. É muito bonito ver as famílias acompanhando nossos espetáculos na rua e nas vilas, porque o circo chega de forma democrática e ajuda a formar plateia para a arte”, conta Luz Rivero, a palhaça Luperta, do Circo Rueda.
Interiorização das artes cênicas
A continuidade de grupos como o Imbuaça, referência do teatro de rua em Sergipe e considerado um dos mais importantes coletivos de teatro popular do Brasil, mostra como o apoio às artes cênicas também passa pela circulação em diferentes territórios sergipanos. Fundado na década de 1970, o grupo mantém uma produção continuada de espetáculos que dialogam com a identidade e a cultura local, com montagens que abordam, também, temas do cotidiano, da memória e das tradições do povo sergipano.
Retomada em 2023 com produção do Imbuaça, a “Ópera do Milho” voltou a integrar programações culturais em Sergipe, incluindo o ciclo junino, e tem se destacado por apresentar, em forma de auto popular, histórias e personagens ligados ao universo junino, como o casamento e a presença dos três santos. Com apoio da Funcap e de outras políticas públicas de cultura, o espetáculo tem circulado por praças, teatros e cidades do interior, reforçando o papel do grupo na interiorização do teatro sergipano.
Ator, diretor e professor do Grupo Imbuaça desde 1978, Lindolfo Amaral lembra que a parceria com a Funcap na montagem e remontagem da “Ópera do Milho” vem garantindo apresentações na capital e no interior, ampliando também o mercado de trabalho para artistas e técnicos. “O que o elenco é composto por 41 pessoas, 5 cantores, quadrilha junina com 10 pares e mais técnicos, cenotécnicos, contrarregras, motoristas. Esse trabalho, que começou em 2023, este ano, em 2026, celebra os 30 anos da primeira montagem. Eu assumi a direção desse espetáculo em 1997, dirigi dois anos seguintes, e voltei a trabalhar com a ópera em 2023, inicialmente para fazer uma referência a Moncho Rodriguez, que faleceu no dia 27 de janeiro de 2023. E esse espetáculo, o governador Fábio Mitidieri resolveu prestigiar e trazer de volta para a programação do São João de Sergipe”, destacou.
Política cultural contínua
O fortalecimento de teatro e circo em Sergipe está associado a uma política cultural contínua e em rede, que envolve editais de fomento, formação, circulação, captação de patrocínios e diálogo permanente com o setor cultural. No âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por exemplo, o estado publicou, em 2025, nove editais que somaram mais de R$ 22 milhões destinados a projetos em diversas linguagens artísticas, ações formativas, circulação cultural, fortalecimento de espaços culturais e da rede de Pontos e Pontões de Cultura.
Entre os instrumentos utilizados estão chamadas públicas para seleção de projetos, credenciamentos de profissionais, articulação com leis de incentivo e parcerias com prefeituras e instituições da sociedade civil, ampliando a presença da cultura no cotidiano das pessoas e contribuindo para a sustentabilidade do trabalho artístico no estado.
Para a assessora técnica da Gerência de Cultura da Funcap, Grazzy Coutinho, a combinação entre Vilas Temáticas, circulação de grupos e editais específicos tem permitido pensar as artes cênicas de forma mais estruturada. “A importância de valorizar e fortalecer as artes cênicas, reconhecendo o papel essencial dos artistas que, com criatividade e resistência, mantêm viva a cena cultural sergipana. Que possamos seguir incentivando políticas públicas que garantam acesso, formação e espaços dignos para o desenvolvimento do teatro e do circo em nosso estado”, pontuou.
Para o ator, diretor e produtor Ivo Adnil, presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de Sergipe (SATED-SE), a combinação de leis emergenciais e estruturantes, como a Lei Aldir Blanc, a Lei Paulo Gustavo e, mais recentemente, a PNAB, trouxe um novo patamar de fomento às artes cênicas, com recursos mais descentralizados e oportunidade para diferentes linguagens.
“Essas políticas vêm dando um incentivo bom nas nossas produções, porque ampliaram os recursos e abriram espaço para o teatro, o circo, a dança e o audiovisual. A criação do teatrinho nas vilas foi uma grande ideia: movimentou a cena, fortaleceu o teatro e o circo para crianças e ajudou muitos grupos a colocar seus trabalhos em cartaz”, avaliou o ator Ivo Adnil.






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