
Caso aconteceu no sábado (21) e atraiu a atenção de turistas.
Um tubarão-limão encalhou na Praia da Cacimba do Padre, em Fernando de Noronha, no sábado (21). O momento atraiu a atenção de turistas e repercutiu nas redes sociais.
A cena foi registrada por Wallison Souza, conhecido na Ilha como None. Ele é instrutor de mergulho há 12 anos e condutor e guia turístico há mais de cinco anos. À Folha de Pernambuco, ele conta que fazia um passeio turístico com um grupo na praia quando se deparou com o tubarão se debatendo na areia. Em toda a sua experiência, ele relata que já viu situações do tipo várias vezes, e classifica o fenômeno como "normal".
"Quando vi, já imaginei que poderia ser um tubarão-limão, porque isso é algo comum para esse animal. Ele é até conhecido como tubarão-papa-areia por causa desse comportamento de caça.
Ele utiliza as ondas para se camuflar e atacar a sardinha, e volta e meia, quando o mar está mais agitado, quando ele vai fazer esse ataque mais no raso, a onda tem muita força e ela acaba empurrando ele para o lado de fora. Mas isso é normal, ele já está adaptado, ele já passou por essa situação várias vezes na hora da caça, principalmente agora na temporada de onda", explica o guia.
Wallison explicou ainda que o animal estava muito agitado, mas, por já estar acostumado a enfrentar situações do tipo, "já sabia o que fazer para voltar em direção às ondas".
"Aquela movimentação dele é necessária. Então ele estava agitado, com muita energia, com bastante força para conseguir voltar. Seria perigoso para o tubarão se ele tivesse parado, sem energia, sem força, aí ele ia estar correndo risco. Mas, do jeito que ele estava ali, ele estava buscando o mar porque é típico dele. Faz parte do comportamento dessa espécie", completa.
No vídeo, é possível ver várias pessoas observando a cena. O guia informou que elas não estavam assustadas. No vídeo, inclusive, é possível ouvi-lo pedindo para que alguns banhistas se afastassem do animal para não causarem um acidente.
"Vi ali que tinha algumas pessoas querendo ir lá ajudar, querendo ir lá empurrar, colocar ele de volta para a água, mas não é seguro, não é interessante, pois o animal está num movimento de caça. Então ele está adaptado àquilo, ele poderia sentir a presença de alguém como fosse algo que apresentasse um perigo para ele, tentasse se defender. Talvez sim, talvez não", começa.
"Por ser um animal que vive nesse comportamento, é interessante não ajudar, a não ser que ele esteja visivelmente apagado, sem força pra conseguir sozinho retornar ao mar, que não era o caso", afirma.
Depois de 3 a 4 minutos, o animal conseguiu retornar ao mar em segurança.
Após alguns minutos, tubarão-limão conseguiu retornar ao mar. - Foto: Instagram @guianonenoronha/Cortesia
O que explica fenômeno
Em contato com a reportagem, a Secretaria Executiva do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) informou que "o comportamento é considerado natural na região", assim como Wallison pontuou.Segundo o comitê, na Ilha, é comum que esses animais se aproximem das áreas rasas em busca de alimento, "especialmente sardinhas, que frequentemente se concentram na zona de arrebentação e no espraiamento das ondas".
"Durante a perseguição aos cardumes, os tubarões podem, eventualmente, encalhar momentaneamente na faixa de areia, conseguindo retornar ao mar com o auxílio do movimento das ondas", completou o comitê.
Orientações
Em caso de encontro com um tubarão encalhado na areia, o Cemit também tem orientações para segurança da população e bem-estar do animal. Em momentos como esse, é importante que as pessoas mantenham distância segura e evitem entrar na água."Trata-se de uma estratégia natural de alimentação dos tubarões. No entanto, em áreas de arrebentação, a turbidez da água pode reduzir a visibilidade, o que exige maior cautela por parte dos usuários do mar, considerando a possibilidade de ocorrência de incidentes já registrados na região", explica o comitê.
A pasta destaca ainda a necessidade de respeitar os animais e sua ecologia por meio da observação consciente e segura.
"A natureza oferece espetáculos únicos, e cabe a todos nós apreciá-los com responsabilidade e respeito", finaliza.
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