
No dia do Ano Novo Persa e do fim do Ramadã, Irã e Israel trocam mísseis, Trump chama a Otan de ‘covarde’ e a pressão sobre o Estreito de Ormuz volta ao centro da disputa.
Na sexta-feira (20), o conflito no Oriente Médio completa três semanas, no mesmo dia em que se celebra o Ano Novo Persa, no Irã, e o fim do Ramadã. As festividades, porém, não interromperam os combates, que seguem sem sinais de terminar.
Ao longo da madrugada, Israel bombardeou a capital iraniana, Teerã, tendo como alvo estruturas do governo. Enquanto isso, o Irã disparou mísseis contra Israel, atingindo o centro histórico de Jerusalém, segundo os militares israelenses.
O Irã também atacou uma refinaria de petróleo no Kuwait, e a Arábia Saudita informou ter interceptado um míssil. Um porta-voz da Guarda Revolucionária iraniana foi morto em ataques atribuídos aos EUA e a Israel.
Em meio à escalada, o secretário-geral da ONU, António Guterres, voltou a se pronunciar e disse haver indícios razoáveis para acreditar que os dois lados do conflito cometeram crimes de guerra.
As declarações diárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a guerra continuaram. Desta vez, ele subiu o tom contra a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) por não ajudar na reabertura do Estreito de Ormuz. “Seria tão fácil para eles, com tão pouco risco. COVARDES – e nós vamos LEMBRAR!”, escreveu em sua rede social, a Truth Social.
Diante da recusa dos membros da aliança, Trump afirmou que “seria legal” se China e Japão ajudassem a liberar o Estreito de Ormuz.
Ele voltou a dizer que os EUA estão em uma boa posição no conflito e que a guerra deve acabar em breve. Questionado se Israel também encerraria a ofensiva quando os EUA decidissem se retirar, respondeu: “acho que sim”. “Nós queremos mais ou menos as mesmas coisas”, declarou.
Sobre um eventual fim da guerra, Trump disse que não deseja um cessar-fogo e que quer conversar com o Irã, mas que “não tem com quem conversar”, insistindo na narrativa de que o governo do país persa foi destruído — apesar de a própria inteligência americana já ter afirmado que ele segue “intacto”.
O governo dos Estados Unidos planeja ocupar ou bloquear a ilha iraniana de Kharg para pressionar Teerã a reabrir o Estreito de Ormuz, segundo revelou o site Axios. A ilha responde por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã e já foi alvo de bombardeios.
Outro passo em avaliação em Washington é o envio de tropas terrestres ao Irã, de acordo com a emissora CBS. Segundo a TV americana, oficiais do Pentágono já apresentaram pedidos específicos para deixar pronta a opção de enviar soldados ao território iraniano, enquanto Trump avalia os próximos passos.
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, divulgou um novo comunicado nesta sexta-feira, por ocasião do Ano Novo Persa. Nele, afirma que os ataques contra Turquia e Omã não foram realizados pelo Irã e acusa os Estados Unidos e Israel de operarem táticas de “bandeira falsa” para afastar os países vizinhos de Teerã.
Khamenei também declarou que os inimigos da República Islâmica estão sendo derrotados na guerra e que o regime se mantém firme, apesar da morte de alguns líderes.
O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, rebateu as falas de Trump sobre estar vencendo o conflito e afirmou que o governo americano está “descolado da realidade”. Segundo Araghchi, o Irã não discutirá a reabertura da passagem pelo Estreito de Ormuz enquanto estiver sob ataque.
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