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Isto é o que o caranguejo-rei, a rosa-enrugada e o abeto-de-sitka têm em comum.
Isto é o que o caranguejo-rei, a rosa-enrugada e o abeto-de-sitka têm em comum.
18/03/2026 14h48
Por: Redação Fonte: Agência Revista Oeste

Isto é o que o caranguejo-rei, a rosa-enrugada e o abeto-de-sitka têm em comum.

 

Imagine caminhar por uma praia ou por uma área rural que você conhece desde criança e perceber que muitas das plantas e animais já não são os mesmos. Espécies que vieram de outros lugares, muitas vezes trazidas sem intenção, estão mudando o visual, o equilíbrio e até o modo como usamos esses ambientes, afetando a natureza, a produção de alimentos, a economia e a saúde pública.

O que são espécies exóticas invasoras e por que elas preocupam?

Espécies exóticas são organismos que foram levados por ação humana, direta ou indireta, para regiões onde não existiam naturalmente. Isso vale para plantas ornamentais importadas, pets diferentes, microrganismos que vêm junto com alimentos e até organismos que “viajam” em cascos de navios, água de lastro, solo e madeira.

Quando essas espécies se adaptam bem ao novo ambiente, passam a se reproduzir sem controle e causam impactos na natureza ou na sociedade, recebem o nome de exóticas invasoras. Elas podem competir com espécies nativas, espalhar doenças, mudar o solo, a vegetação ou o fundo do mar e, com o tempo, transformar completamente um bioma.

Espécies exóticas são organismos que foram levados por ação humana, direta ou indireta, para regiões onde não existiam naturalmente. – Créditos: depositphotos.com / spopov

Como as espécies chegam e se espalham?

O avanço dessas espécies costuma ser resultado da soma de fatores. O aumento da temperatura em várias regiões, registrado até 2026, facilita a sobrevivência de organismos típicos de áreas mais quentes. Ao mesmo tempo, o transporte marítimo, aéreo e rodoviário cresce e leva seres vivos escondidos em cargas, veículos e bagagens.

Para entender melhor essas rotas, especialistas destacam alguns caminhos mais preocupantes, que ajudam a explicar como a invasão acontece na prática:

As espécies exóticas invasoras podem atuar em conjunto?

Na prática, esses organismos raramente chegam sozinhos. Muitas vezes, duas ou mais espécies invasoras aparecem no mesmo lugar e o resultado é um impacto somado, diferente e, em geral, muito mais forte do que se fosse apenas uma espécie ocupando o ambiente.

Essas interações podem envolver facilitação, quando uma espécie prepara o terreno para outra, controle parcial, quando uma espécie limita a outra, ou efeitos paralelos, quando cada uma mexe em partes diferentes do ecossistema. Em ambientes marinhos e terrestres, essa combinação acelera a perda de biodiversidade e altera processos como decomposição, ciclagem de nutrientes e relações entre predadores e presas.

Na prática, esses organismos raramente chegam sozinhos. – Créditos: depositphotos.com / OceanPhotographer23

Como avaliar o risco das espécies invasoras?

Para lidar com o problema, vários países usam sistemas de avaliação de risco, que classificam as espécies exóticas conforme o potencial de dano e a chance de se estabelecerem. São usados dados científicos, registros em outros lugares e até projeções ligadas às mudanças climáticas.

Quando faltam informações, entram em cena análises mais qualitativas, com apoio de especialistas e experiências de outras regiões. Em geral, esse tipo de avaliação inclui etapas como identificar espécies já estabelecidas, mapear áreas sensíveis, analisar interações com espécies nativas, priorizar as mais perigosas e definir ações de prevenção, monitoramento, controle ou, se possível, erradicação.

Se você quer saber mais, separamos o vídeo do canal “Biólogo Sérgio Rangel” falando sobre essa curiosidade:

Quais estratégias ajudam a reduzir o impacto dessas espécies?

Quanto mais cedo a chegada de uma espécie invasora é percebida, maiores as chances de evitar danos duradouros. Por isso, órgãos ambientais e pesquisadores insistem na prevenção em portos, aeroportos e fronteiras e em regras claras para transporte de organismos vivos.

Entre as principais estratégias estão normas para limpeza de embarcações e manejo da água de lastro, controle do comércio e criação de espécies com potencial invasor, planos de manejo para espécies já espalhadas, campanhas de informação para agricultura, pesca, aquicultura e jardinagem e integração entre políticas de clima, biodiversidade e saúde, já que algumas invasoras podem carregar ou transmitir doenças