Estudo de buscador de voos Viajala mostra aumentos de preço para os destinos nacionais mais buscados; São Paulo, o destino mais procurado do Brasil, apresenta alta de quase 40%
A guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz já começaram a impactar o bolso do viajante brasileiro, mesmo considerando apenas voos domésticos. Dados do buscador de voos Viajala registraram, nas principais rotas nacionais, aumentos consistentes no preço das passagens aéreas de 15%, em média, nos últimos 10 dias.
“A guerra leva o mundo a uma crise global de energia e de combustível, que é responsável por cerca de um terço da precificação das passagens aéreas”, explica Felipe Alarcón, diretor comercial do Viajala. “O impacto de um evento dessa magnitude é praticamente imediato nos preços”.
O Viajala analisou cerca de 400 mil buscas de voos com origem nos principais aeroportos brasileiros entre 18 de fevereiro e 15 de março, com o objetivo de comparar as variações no preço médio antes e depois do início do conflito.
Entre 5 e 15 de março – período entre 5 e 20 dias após o início do conflito e já com o fechamento do Estreito de Ormuz – o preço médio das viagens aumentou em relação aos dez dias anteriores, movimento contrário ao que tradicionalmente ocorre nesta época do ano, segundo o Viajala.
As viagens de ida e volta para São Paulo passaram a apresentar preço médio de R$ 1.338, um aumento de 36%. Já as viagens de ida e volta para Recife estavam custando, em média, R$ 1.497, 22% a mais do que antes da guerra.
Os demais destinos mais buscados tiveram comportamento semelhante nos deslocamentos, considerando voos de ida e volta: Rio de Janeiro (RJ) viu o preço médio crescer 11% em relação aos 10 dias anteriores à guerra, para R$ 1.232; Fortaleza registrou aumento de 14%, para R$ 1.710 em média; e Salvador, também mais 14% na média, para R$ 1.338.
O mesmo movimento se refletiu no preço médio praticado pelas companhias aéreas nacionais: a Azul passou a operar com tarifas, em média, 13,5% mais altas que no período pré-ataques; a Latam, com aumento de 15%; e a Gol, com alta de 17%.
“Precisamos considerar que, no período pós-Carnaval, é natural observar uma queda nos preços das passagens, já que o feriado é uma das maiores altas temporadas do país, com muita procura por passagens de última hora, aquecendo o mercado durante o período e desacelerando os preços na sequência”, explica Alarcón. “Ainda assim, a recente alta, que ficou na média de 15% nas companhias aéreas nacionais, demonstra um impacto claro da guerra”.