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Não aposte contra EUA, presidente pode ser o Mickey Mouse que o país irá bem.
Não aposte contra EUA, presidente pode ser o Mickey Mouse que o país irá bem.
17/03/2026 18h38
Por: Redação Fonte: Agência Infomoney

Não aposte contra EUA, presidente pode ser o Mickey Mouse que o país irá bem.

 

Conhecido por suas previsões pessimistas, economista vê mais motivos para expectativas positivas com mudanças que o mundo vem apresentando, na geopolítica, economia e tecnologia.

O famoso Dr. Doom está, como nunca, otimista. O economista Nouriel Roubini, CEO da Roubini Macro Associates, afirma que o mundo atual saiu de uma situação onde havia respeito aos países menores para uma realidade na qual o mais forte age conforme os seus interesses.

Conhecido por suas previsões pessimistas, Roubini, no evento Nomad Global Invest Day, vê mais motivos para expectativas positivas com as mudanças que o mundo vem apresentando, na geopolítica, economia e tecnologia. E desaconselha apostar contra os EUA, mesmo considerando negativos movimentos recentes de Donald Trump, presidente do país.

“Eu estou otimista para que o crescimento secular se torne a nova história”, diz. “Estamos agora nesse mundo fragmentado onde muita coisa que estava no passado agora está mudando. Estamos em um mundo de unilateralismo”.

“Fomos de globalização para desglobalização”, diz Roubini, citando tarifas e movimentos anti-migração em voga nos EUA. Depois de 2º de abril do ano passado, quando as tarifas foram instituídas, as pessoas se tornaram mais pessimistas com os EUA, afirma Roubini.

A história mostrou que o “excepcionalismo” não terminou e que o impacto ficou reduzido pela força que o mercado teve para que Trump voltasse atrás. Ainda assim, a liderança dos EUA é menos relevante para a tese do país que o mercado já presente, avalia.

“Não aposte contra os EUA, o presidente pode ser o Mickey Mouse e o país seguirá indo bem”, afirma, comentando que o universo corporativo americano é muito rico e que as teses ainda se sustentam quem quer que seja o presidente.

Ele ainda faz projeções sobre a inteligência artificial (IA), minimizando os temores sobre as consequências que ela terá no futuro. “Pessoas tem medo de IA ser uma bolha, mas eu acho que isso está errado”, aponta.

Roubini afirma que empresas que não souberem lidar com a inteligência artificial de fato poderão ser trajetória mais difícil, mas que novas empresas poderão assumir o espaço. “Se você tiver um portfólio diversificado, haverá retorno”, afirma, citando também companhias que ainda não fizeram abertura de capital e podem ser boas oportunidade de exposição no mercado. “O upside ainda é significativo e dizer que há uma bolha de IA é errado, embora, obviamente, pode haver uma correção”.

O economista afirma que o mundo atual de é de alta incerteza, mas há sempre oportunidades de investir tanto em momentos bons quanto em momentos mais difíceis. “A década começou com a Crise da Covid, que afetou a todos nós. Depois disso, tivemos as eleições dos EUA, quando [Joe] Biden ganhou e [Donald] Trump não aceitou. O mesmo aconteceu no Brasil, quando Lula ganhou e [Jair] Bolsonaro tentou tomar o poder forçosamente. Felizmente, a democracia ganhou”.

Roubini cita ainda que, depois disso, houve a Guerra da Ucrânia, conflitos na Faixa de Gaza e a reeleição de Trump. “Algumas pessoas temem até mesmo o caos, com essa mudança que está acontecendo no momento”, diz. O economista cita que as mudanças atuais se aplicam tanto na geopolítica, quanto na economia e também na tecnologia.

Roubini afirma que, com o avanço da inteligência artificial, há possibilidade de crescimento em países como EUA e China. O economista relembra a época de crescimento ainda nos anos 90, com o avanço da internet, mas estagnado quando houve a grande crise econômica no fim dos anos 2010. O pilar de inteligência artificial, então, seria o mais relevante desde então para transição tecnológica.

“Essa seria mais importante que a primeira revolução digital e é mais disruptiva”, afirma, citando que há uma série de indústrias que são relacionadas à inteligência artificial, mas ligadas à revolução de semicondutores, pesquisas biomédicas, computação quântica e até mesmo no setor de defesa. “Podemos observar isso já no últimos conflitos. Todos vão gastar mais em defesa ao redor do mundo e será mais ligada à tecnologia, defense-tech”, diz.

O que esperar para o futuro?

O medo no ano passado era que comércio e protecionismo poderiam criar mais recessão e inflação. Agora, Roubini espera a guerra não dure muito porque a inflação seguirá subindo e que Trump será forçado a “piscar” para não perder as eleições “mid terms”. “Pelo menos, dessa vez, não está parecido com o visto em 1970, com choque de energia, mas sim mais próximo ao observado em junho do ano passado”, diz.

O economista espera que o impacto seja mais limitado e que o máximo de choque que pode acontecer é de preço e de quantidade. “Os vencedores são os produtores de petróleo, mas consumidores e usuários de energia sentirão mais impacto. Com sorte, disciplina de mercado vai prevalecer”, afirma.