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“Eu vou lutar por minha mãe até o fim”, diz filha de mulher morta pelo ex-marido em Paulista

“Eu vou lutar por minha mãe até o fim”, diz filha de mulher morta pelo ex-marido em Paulista

17/03/2026 às 11h18
Por: Redação Fonte: Agência Diario de Pernambuco
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“Eu vou lutar por minha mãe até o fim”, diz filha de mulher morta pelo ex-marido em Paulista

"Eu vou lutar por minha mãe até o fim", diz filha de mulher morta pelo ex-marido em Paulista.

 

Sandra foi encontrada morta no quintal da residência onde vivia. O principal suspeito é o ex-marido da vítima, identificado como Antônio Carlos, de 46 anos, que foi preso em flagrante na segunda-feira (16), no município de Caruaru, no Agreste de Pernambuco..

“Eu vou lutar por minha mãe até o fim. Eu quero justiça.”

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O desabafo é de Débora Justino, de 21 anos, filha de Sandra Justino de Barros, de 37 anos, encontrada morta dentro da casa onde morava no domingo (15), no bairro do Janga, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife.

A declaração foi feita durante o velório de Sandra, nesta terça (17), no Cemitério Morada da Paz, em Paulista. 

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Antes do enterro, Debora passou mal e desmaiou.  

Longa caminhada 

Sandra foi encontrada morta no quintal da residência onde vivia.

O principal suspeito é o ex-marido da vítima, identificado como Antônio Carlos, de 46 anos, que foi preso em flagrante na segunda-feira (16), no município de Caruaru, no Agreste de Pernambuco.

Para Débora, a prisão representa apenas o começo de uma longa caminhada por justiça.

“Eu vou lutar por minha mãe até o fim. Eu quero justiça, justiça. Por ela eu vou até o fim”, disse a jovem.

Segundo ela, apesar de ter sentido um certo alívio ao saber que o suspeito havia sido capturado, a prisão não ameniza a dor da perda.

“Eu fiquei aliviada quando soube que ele estava preso, mas isso não vai trazer a vida da minha mãe de volta. É um alívio de saber que ele vai pagar pelo que fez”, afirmou.

A filha da vítima acredita que o crime foi resultado de um comportamento possessivo e violento que o suspeito já demonstrava durante o relacionamento.

“Ele achava que era dono dela. Queria mandar, queria que ela estivesse com ele. Era machismo mesmo. Minha mãe silenciava muito para preservar o relacionamento, mas eu sabia que ela não estava bem”, relatou.

Conselhos

Débora contou que, mesmo aconselhada pelas filhas a encerrar o relacionamento, Sandra muitas vezes preferia não expor os problemas que enfrentava dentro de casa.

“Ela silenciava muito, principalmente para a gente que é filha. Mas eu conhecia minha mãe e sabia que ela não estava bem. Eu pedia para ela parar, para seguir a vida dela”, disse.

Amiga diz que vítima sofria agressões

Uma funcionária da vítima, de 28 anos, que também se tornou amiga próxima de Sandra, afirmou que só descobriu que a mulher sofria agressões depois que as duas criaram mais intimidade.

“Eu perguntei diretamente para ela: ‘Sandra, Beto te bate?’ Aí ela se desesperou e disse que não aguentava mais, que ele massacrava ela, que batia muito nela”, contou.

Segundo a funcionária, Sandra parecia cansada da situação que vivia.

“Ela dizia que não aguentava mais aquela situação”, afirmou.

A amiga também relatou que esteve com Sandra na noite anterior ao crime, em um bar próximo à hamburgueria onde a vítima trabalhava.

De acordo com ela, o suspeito apareceu no local mesmo após ter sido aconselhado a não ir.

“Eu pedi a ele três vezes para ele não ir para o bar, porque Sandra estava lá comigo. Mas ele foi. Quando ele chegou estava todo arrumado, com um copo na mão, e ficou observando ela o tempo todo”, disse.

A funcionária descreveu o comportamento do homem durante toda a madrugada.

“Ele ficava em pé, de braço cruzado, só olhando. Parecia que estava fingindo que não ligava, mas estava observando tudo”, relatou.

Durante a noite, Sandra permaneceu ao lado dos amigos e, segundo a testemunha, demonstrava carinho e proximidade.

“Ela não largava meu pescoço, me abraçando a noite toda. Parecia que estava carente. Em um momento eu até brinquei com ela e disse: ‘Sandra, tu está carente?’ E ela respondeu: ‘Não, porque eu te amo’”, contou.

Por volta das quatro da manhã, Sandra decidiu ir embora. Um amigo do grupo se ofereceu para deixá-la em casa.

“A gente disse que ia levar ela com segurança. Ele só foi deixar ela em casa”, afirmou a funcionária.

Horas depois, já em casa, a amiga recebeu uma mensagem do celular de Sandra, mas algo chamou sua atenção.

“Ela respondeu de um jeito que não era dela. Eu disse para o meu parceiro: ‘Não foi Sandra que me respondeu’”, contou.

Preocupada, ela tentou contato diversas vezes ao longo da manhã, mas não conseguiu falar com a amiga.

A notícia da morte veio horas depois, através da filha da vítima.

“A filha dela me ligou desesperada dizendo: ‘Mamãe está morta’”, lembrou.

Investigação

De acordo com o advogado da família, Sérgio Gonçalves, o suspeito chegou a enviar mensagens para a filha de Sandra logo após o crime.

“Ele mandou mensagem pedindo perdão e dizendo que tinha cometido o feminicídio e que estaria longe, que ninguém ia encontrar ele”, afirmou.

Segundo o advogado, a própria confissão deve ser anexada ao processo.

“Essa confissão vai ser juntada aos autos. Ele pensava que não seria encontrado, mas foi preso”, disse.

Para a defesa da família, o crime foi premeditado.

“Ele estava monitorando Sandra, observando ela no bar, esperando o momento ideal para tirar a vida dela”, afirmou o advogado.

O crime

Sandra Justino de Barros foi encontrada morta no quintal da casa onde morava, no bairro do Janga, em Paulista.

O laudo da perícia apontou que a causa da morte foi traumatismo crânio-encefálico provocado por ação de meio contundente.

Familiares afirmam que Sandra e o suspeito tiveram um relacionamento de cerca de quatro anos, marcado por conflitos e episódios de violência.

Segundo relatos, o homem não aceitava o fim da relação.

Suspeito foi preso no Agreste

O suspeito do crime, identificado como Antônio Carlos, de 46 anos, foi preso na segunda-feira (16), no município de Caruaru, no Agreste de Pernambuco.

De acordo com a Polícia Civil de Pernambuco, ele foi autuado pelo crime de feminicídio consumado por meio da Delegacia de Santa Cruz do Capibaribe.

Após os procedimentos na delegacia, o homem foi colocado à disposição da Justiça.

Enquanto aguardam os próximos passos da investigação e do processo judicial, familiares afirmam que a luta agora é para que o crime não seja esquecido.

“Eu vou lutar por minha mãe até o fim”, reforçou Débora.

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