Receio da PF teria sido compartilhado com o tribunal em documento sigiloso ainda no ano passsado.
A Polícia Federal teria relatado ao Supremo Tribunal Federal temer que Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fugisse do Brasil. O receio teria sido compartilhado com a Corte em um documento enviado no ano passado, informação confirmada pela CNN Brasil.
Em dezembro, após o envio do documento, foi solicitada a quebra de sigilo fiscal de Lulinha, como é conhecido o filho do presidente.
A defesa de Lulinha admitiu ao STF, pela primeira vez, que o empresário teve uma viagem a Portugal bancada pelo empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso sob suspeita de liderar um esquema de desvios em aposentadorias.
Ele negou, porém, ter firmado qualquer negócio ou recebido valores. A petição foi apresentada depois que da quebra do sigilo bancário do empresário e diante do receio de que ele seja alvo de novas medidas da PF.
Lulinha diz que foi apresentado ao Careca do INSS por meio de sua amiga Roberta Luchsinger em 2024 “como um bem-sucedido empresário do mercado farmacêutico”. Lulinha afirma que não tinha conhecimento, na ocasião, da atuação dele junto ao INSS.
Na petição, Lulinha diz que teve interesse na parceria quando o Careca do INSS lhe contou sobre um projeto comercial de produção de canabidiol medicinal, porque tem uma sobrinha que faz tratamento médico com a substância e enfrentou dificuldades com a qualidade e disponibilidade dos medicamentos.
Documentos em análise pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS mostram que Lulinha movimentou R$ 19,5 milhões em quatro anos em uma conta. Nos registros, constam três transferências feitas por Lula, somando R$ 721,3 mil. A defesa do filho do presidente nega qualquer irregularidade.
No início do mês, o presidente Lula chegou a pedir que Lulinha prestasse os devidos esclarecimentos, para evitar que a suspeita prejudicasse a imagem do governo federal em ano eleitoral.
Na conversa por telefone, Lula teria dito ainda que, se o filho for inocente, deve se defender e, depois, buscar retratar sua honra.