Violência Desabafo
Ataque em escola de Pernambuco: mãe diz que garota esfaqueada não sabe motivo: “por que eu?”
Ataque em escola de Pernambuco: mãe diz que garota esfaqueada não sabe motivo: “por que eu?”
17/03/2026 09h46
Por: Redação Fonte: Agência Diario de Pernambuco

Ataque em escola de Pernambuco: mãe diz que garota esfaqueada não sabe motivo: "por que eu?".

 

A adolescente de 14 anos segue internada no Hospital da Restauração (HR), após ser atingida com quatros golpes de faca em esola de Barreiros, na Mata Sul, na segunda (16).

“Mainha, por que eu? Eu não fiz nada com esse menino”. O questionamento foi feito por uma das vítimas do ataque a faca praticado por um colega em uma escola em Barreiros, na Mata Sul de Pernambuco.

As frases foram ditas pela mãe da estudante, nesta terça (17), em entrevista ao Diario, um dia depois do crime, na Escola Cristiano Barbosa e Silva. 

A adolescente, de 14 anos, é uma das três estudantes feridas durante a agressão. Ela está internada no Hospital da Restauração (HR), no Recife, em situação estável. As outras duas já receberam alta. 

O suspeito, de 14 anos, foi levado para uma cidade da região, por questões de segurança.

Segundo a mãe da garota, a jovem sofreu quatro perfurações, sendo três nas costas e uma no braço, e segue internada sob cuidados médicos.

Os nomes da mãe e da garota não serão divulgados em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 

Entrevista

Em entrevista ao Diario, a mãe disse que a filha perdeu o movimento das pernas após o primeiro golpe, o que a deixou mais vulnerável aos ataques seguintes.

“A primeira facada foi nas costas. Foi quando ela perdeu o movimento das pernas e caiu. Como ficou no chão, acabou ficando mais vulnerável”, contou.

A família recebeu a notícia cerca de 20 minutos depois que a adolescente saiu de casa para ir à escola. A ligação partiu da própria unidade de ensino informando que havia acontecido algo e que a estudante tinha sido ferida.

“Quando a gente chegou à escola, deu de cara com a cena. Ela estava no chão, consciente, dizendo que o menino tinha atacado a turma”, relatou a mãe.

Segundo a mulher, a filha não era o alvo específico do agressor, mas fazia parte de um grupo de estudantes que foi surpreendido pelo ataque.

“Ela não foi a principal mira. Ele foi em direção ao grupo onde ela estava. Outras duas pessoas também foram atingidas”, disse.

Questionamentos

Após o ataque, a adolescente passou a questionar repetidamente a família sobre o motivo da agressão.

De acordo com a mãe, a jovem afirma que nunca teve qualquer contato com o agressor.

“Ela disse: ‘maninha, por que eu? Eu não fiz nada com esse menino’. Ela sempre diz que nunca falou com ele, nunca chegou perto”, afirmou.

A mãe também rebateu rumores que circulam nas redes sociais de que a filha teria algum tipo de desentendimento com o agressor ou que praticava bullying.

“É mentirosa toda notícia de que tinha envolvimento, que tinha cor ou que fazia bullying. Minha filha nunca teve nenhum tipo de contato com esse menino”, declarou.

Segundo a mãe, a própria adolescente já havia comentado em casa sobre o comportamento reservado do colega.

“Ela já tinha dito que tinha um menino na escola que não falava com ninguém e que era muito quieto. Ela dizia que achava ele estranho e que tinha medo. Mas ela também dizia que nunca mexia com ninguém”, contou.

A mãe afirma que a filha sempre teve um perfil tranquilo e sensível.

“Ela sempre dizia: ‘maninha, eu não mexo com ninguém. A senhora sabe que eu fico com pena até quando alguém fala alto com outra pessoa’”, relatou.

Estado de saúde

A adolescente está sendo submetida a uma série de exames para que os médicos consigam entender a causa da falta de sensibilidade nas pernas após o ferimento.

“Ela está estável, está falando, mas é um caso crítico. Os médicos estão investigando o local do ferimento e aguardando os exames para chegar a um diagnóstico”, explicou a mãe.

Ainda muito abalada, a estudante também demonstrou medo de retornar à escola após o ocorrido. “Ela pediu: ‘mãe, eu não quero voltar aqui nunca mais’. Ela está muito assustada”, disse a mãe.

Acompanhamento piscológico

A família pretende buscar acompanhamento psicológico para ajudar a jovem a lidar com o trauma.

“Primeiro vamos dar suporte a ela, procurar ajuda psicológica e tentar fazer com que ela consiga lidar com tudo isso”, afirmou.

A mãe também falou sobre o impacto do caso e disse que ainda tenta entender como uma situação como essa pode acontecer.

“O que passa na minha cabeça é como uma criança pode ter uma mente tão perversa. E como os pais não percebem isso dentro de casa”, disse.

Segundo ela, além da dor causada pelo ataque, a família também tem enfrentado a repercussão de informações falsas nas redes sociais.

“Cada palavra dizendo que a minha filha é culpada ou que ela fez algo machuca muito a gente. Está sendo muito difícil”, afirmou.

Mesmo orientada a evitar novas declarações, a mãe decidiu falar para que a versão da filha também fosse ouvida.

“A gente só quer que fique claro que ela nunca fez nada com esse menino. Nunca falou com ele, nunca praticou bullying. Ela também é vítima de tudo isso”, declarou.