Pesquisadores afirmam que IA pode ampliar acesso à psicoterapia no Brasil, mas não substitui o humano e traz riscos éticos graves.
Cientistas de Tecnologia da UniCesumar alegam que a IA revoluciona saúde mental, mas chatbots criam "vínculos ilusórios" e desigualdades
Em um país onde 25 milhões de brasileiros sofrem com sintomas depressivos, mas só 3,5% conseguem atendimento psicológico, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e do Ministério da Saúde, a inteligência artificial (IA) surge como aliada para democratizar a saúde mental.
O estudo "Psicoterapia e Inteligência Artificial: Limites Tecnológicos na Promoção da Saúde", assinado pelo professor do Mestrado em Promoção da Saúde da UniCesumar, Lucas Garcia, e pela estudante Sophia Ivantes, analisa avanços como reconhecimento emocional em tempo real e terapias imersivas em realidade aumentada, mas conclui pela necessidade urgente de regulação ética e legal.
O artigo alerta que o uso de chatbots e terapias digitais ampliam o acesso, mas geram vínculos ilusórios, vieses discriminatórios e violações de privacidade, exigindo supervisão humana rigorosa.
A pesquisa destaca benefícios concretos da IA, como personalização de interações para fortalecer o engajamento terapêutico e detecção precoce de riscos suicidas via análise de linguagem, ferramentas que reduzem barreiras geográficas e custos, especialmente em comunidades vulneráveis. No Brasil, onde a desigualdade digital afeta 40% da população rural, isso poderia revolucionar o cuidado. Avanços recentes incluem ambientes simulados para tratar fobias e ansiedade, com chatbots elevando a adesão em até 30% em estudos revisados.
"A IA é uma ferramenta promissora para triagem e suporte entre sessões, reduzindo a sobrecarga de profissionais de saúde mental. Mas sem supervisão ética adequada, pode criar ilusões de cuidado e reproduzir desigualdades", afirma o professor Lucas Garcia, orientador do estudo da UniCesumar.
Ainda assim, os autores enfatizam limites: a IA falha na empatia genuína e na compreensão de nuances emocionais culturais, podendo perpetuar preconceitos raciais e de gênero por dados enviesados. Riscos incluem dependência tecnológica, quebra de confidencialidade (sem conformidade plena à LGPD) e intervenções inadequadas sem psicólogos humanos.
O artigo recomenda práticas como criptografia robusta, comitês interdisciplinares e multidisciplinares de governança e priorização de atendimento humano em crises. Tendências promissoras incluem terapias imersivas e governança multiprofissional, com foco em transparência e humanização.
"Personalização digital fortalece o vínculo terapêutico, mas não replica a profundidade e a relação humana. Precisamos de auditorias e cocriação com pacientes para evitar danos, especialmente em um país com alta prevalência de transtornos mentais", complementa Sophia Ivantes, aluna de Psicologia e coautora.
A publicação está disponível no repositório acadêmico da Revista Bioética pelo link.
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