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Zema insiste em candidatura própria, mas aliados veem acenos do governador a Flávio
Zema insiste em candidatura própria, mas aliados veem acenos do governador a Flávio
11/03/2026 08h52
Por: Redação Fonte: Agência O Globo
Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Zema insiste em candidatura própria, mas aliados veem acenos do governador a Flávio.

 

Participação em ato na Paulista, ofensiva contra Moraes e interlocução com bolsonaristas alimentam, nos bastidores da direita, especulações sobre eventual composição.

Embora siga afirmando publicamente que pretende disputar a Presidência da República em outubro deste ano, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), vem fazendo gestos políticos que, nos bastidores da direita, são interpretados como uma possibilidade de composição com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A abertura alimenta especulações entre aliados do parlamentar e no entorno do próprio governador de que ele poderia integrar uma eventual chapa presidencial liderada pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Procurado, Zema não se manifestou.

A leitura ganhou força após uma série de agendas e posicionamentos que aproximaram Zema de pautas centrais do bolsonarismo. Entre os episódios citados por interlocutores está a participação do governador no ato promovido por apoiadores de Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo, há duas semanas

No evento, Zema dividiu espaço com lideranças do campo conservador e reforçou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), gesto interpretado por aliados de Flávio como um sinal de aproximação política com a base do ex-presidente.

Outro movimento que chamou atenção ocorreu quando Zema esteve em Brasília na segunda-feira para protocolar, ao lado de parlamentares do Novo, um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A iniciativa foi apresentada no Senado como reação a decisões do magistrado consideradas excessivas por setores da direita e é uma das bandeiras que mais mobilizam a base bolsonarista no Congresso.

Entre integrantes da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, a avaliação é que os movimentos do governador mineiro não passam despercebidos. Aliados afirmam que Zema é visto como um dos nomes com potencial para integrar uma eventual composição de chapa, sobretudo pelo peso eleitoral de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, e pelo perfil liberal na economia, que poderia ampliar o alcance da candidatura.

Interlocutores próximos ao senador dizem que Zema tem evitado confrontar diretamente o projeto do PL e mantém canais de diálogo abertos com lideranças bolsonaristas. Para esse grupo, o comportamento sugere que o governador busca preservar espaço em diferentes cenários dentro do campo conservador, especialmente em um ambiente de fragmentação da direita.

Publicamente, porém, Zema insiste em manter o discurso de candidatura própria. Em entrevistas recentes, o governador afirmou que pretende levar adiante o projeto do Novo para disputar o Palácio do Planalto e rejeitou a hipótese de integrar uma chapa como vice.

Apesar disso, integrantes da própria campanha do governador mineiro admitem que conversas sobre cenários eleitorais vêm ocorrendo entre lideranças da direita. A maior resistência a uma eventual composição com o PL estaria dentro do Partido Novo, onde dirigentes defendem a manutenção de uma candidatura própria.

O vice-presidente do Novo em Minas Gerais, Fred Papatella, afirma que a participação em manifestações críticas ao STF não deve ser interpretada como gesto de campanha.

— Enquadrar a indignação com o STF como bolsonarista é reduzir muito. O ato foi uma questão partidária, muito além de qualquer estratégia eleitoral. Trata-se de uma indignação como sociedade. Não tem nada a ver com campanha — disse.

Dentro do PL, a discussão sobre a vice ainda está em estágio inicial. Integrantes da pré-campanha de Flávio afirmam que diferentes perfis estão sendo avaliados e que a definição dependerá do desenho final da coalizão que sustentará o projeto presidencial.

Uma ala do grupo defende que a vaga seja ocupada por uma mulher nordestina, estratégia vista como forma de ampliar a presença do bolsonarismo em uma região onde o campo conservador enfrenta maior resistência eleitoral.

Nesse grupo, o nome mais citado é o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura do governo Bolsonaro e hoje uma das principais lideranças do agronegócio no Congresso.

Aliados do senador evitam, no entanto, antecipar qualquer definição. O deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) afirmou que a escolha ainda está distante.

— Zema é um bom nome, mas temos tempo para escolher vice — disse.