Contagem de votos no Senado ainda indica cenário difícil para o AGU; Lula, porém, pretende formalizar indicação antes de outubro.
A votação da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) pode ficar para depois das eleições. Segundo relatos de senadores ouvidos pela CNN, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), disse a interlocutores que prefere adiar a análise do nome no plenário.
A avaliação nos bastidores da Casa, ainda conforme a apuração, é de que o ambiente político ainda não garante votos suficientes para a aprovação. A indicação de um ministro do STF precisa do apoio da maioria absoluta do Senado, o que corresponde a pelo menos 41 votos favoráveis.
Apesar da sinalização de adiamento no Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende formalizar a indicação antes do período eleitoral. O envio do nome ao Congresso é o primeiro passo do processo, que inclui sabatina na Comissão de Constituição e Justiça e votação no plenário.
Nos bastidores do governo, parte dos aliados avalia que o melhor caminho pode ser evitar uma votação em meio à disputa eleitoral. A indicação de um ministro do STF precisa do apoio da maioria absoluta do Senado, o equivalente a 41 votos.
Sem essa garantia, a votação poderia se transformar em um desgaste político para o Planalto.
A tensão entre Planalto e Senado também está relacionada à escolha feita por Lula para a vaga no Supremo. Alcolumbre defendia outro candidato para o posto: o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco.
Quando o governo anunciou Jorge Messias como indicado, o senador teria demonstrado irritação por não ter sido previamente consultado pelo Palácio do Planalto.
Lula e Alcolumbre chegaram a conversar recentemente por telefone, mas a indicação ao STF não avançou nas tratativas. Até agora, também não foi marcada uma reunião mais ampla entre o presidente e senadores, o que, segundo interlocutores do Congresso, contribui para manter o ambiente político pouco favorável à indicação.
Sem uma articulação mais direta com o Senado, a tendência discutida nos bastidores é que o tema fique em compasso de espera até o fim do período eleitoral.