O movimento ocorreu em paralelo à alta das bolsas globais e à forte queda do petróleo, em um típico episódio de apetite por risco.
O Bitcoin (BTC) voltou a subir nesta terça-feira (10) e chegou a superar a marca de US$ 71 mil, acompanhando a recuperação de ativos de risco globais após comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reduziram temores imediatos sobre uma escalada da guerra envolvendo o Irã.
A criptomoeda avançou até 3,1% e atingiu US$ 71.088, o maior nível em quatro dias. Mais tarde, parte do ganho foi devolvida, com o ativo sendo negociado próximo de US$ 70.800 nas primeiras horas desta manhã.
O movimento ocorreu em paralelo à alta das bolsas globais e à forte queda do petróleo, em um típico episódio de apetite por risco. O barril do Brent recuou mais de 7%, aproximando-se de US$ 91, após ter alcançado US$ 119,50 na segunda-feira (9) em meio às tensões no Oriente Médio. Nesta terça, o recuo se estende ainda mais.
O gatilho foi uma declaração de Trump de que o conflito envolvendo o Irã poderia ser resolvido “muito em breve”, feita durante coletiva de imprensa em seu resort em Doral, na Flórida. O presidente também afirmou que seu governo busca manter os preços do petróleo sob controle e mencionou a possibilidade de flexibilizar algumas sanções ligadas ao petróleo e de escoltar navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz.
“O Bitcoin historicamente cai durante choques de liquidez e depois se recupera. Esses episódios derrubam os preços temporariamente, mas a tese de longo prazo para ativos não soberanos permanece intacta”, afirmou Karim AbdelMawla, analista da gestora 21Shares.
Outras criptomoedas também acompanharam a recuperação. O Ethereum (ETH) chegou a subir cerca de 2,2%, enquanto XRP e Solana (SOL) avançaram até 2,8% e 1,9%, respectivamente, antes de reduzir parte dos ganhos.
Segundo Richard Galvin, cofundador do hedge fund DACM, o mercado interpretou os comentários do presidente americano como um sinal de possível desescalada mais rápida do conflito.
“Os últimos comentários de Trump estão sendo vistos como um indicativo de que o conflito com o Irã pode terminar mais rápido do que o mercado antecipava”, afirmou. “O risco é que o mercado esteja interpretando mal essas declarações ou que Israel, os Estados Unidos ou o próprio Irã adotem medidas que voltem a escalar as hostilidades.”
Desde o início da ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, o Bitcoin tem demonstrado relativa estabilidade em comparação com outros ativos.
No acumulado de março, o Bitcoin já sobe cerca de 7%, enquanto o ouro registra queda próxima de 2% no mesmo período, mesmo sendo tradicionalmente considerado um ativo de proteção contra inflação e incertezas.
Apesar da recuperação recente, o ativo ainda permanece mais de 40% abaixo do recorde histórico superior a US$ 126 mil registrado em outubro do ano passado.
A volatilidade do Bitcoin voltou a subir nesta semana. O índice de volatilidade implícita de 30 dias da criptomoeda atingiu o nível mais alto em duas semanas, sinalizando maior demanda por proteção nos mercados de derivativos.
No mercado de opções da Deribit, por exemplo, há concentração de apostas de proteção contra queda com preço de exercício em torno de US$ 60 mil.
Mesmo assim, dados on-chain (verificados na rede pública da criptomoeda) indicam que investidores de longo prazo seguem acumulando a criptomoeda. Desde 13 de fevereiro, diz Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin, há uma tendência consistente de aumento nas posições desses participantes, com novas compras registradas também ao longo do último fim de semana.
“Nos ETFs de Bitcoin, após fortes entradas no início da última semana, houve saídas próximas de US$350 milhões na sexta-feira. Ainda assim, o saldo semanal permaneceu positivo, com mais de US$500 milhões em entradas líquidas”, diz o especialista.
No campo técnico, analistas também apontam sinais de que a pressão vendedora dos mineradores pode estar perto do fim. O indicador conhecido como Hash Ribbon, usado para medir períodos de capitulação no setor de mineração, se aproxima de um sinal de recuperação após quase três meses de fraqueza.
“Ao longo dos últimos quatro anos, sinais semelhantes foram seguidos por retornos medianos de aproximadamente 16% em três meses, 32% em seis meses e quase 60% no ano seguinte”, ressalta AbdelMawla, da 21Shares. “O indicador não marca necessariamente o fundo exato, mas costuma surgir quando a pressão vendedora dos mineradores está em grande parte esgotada”, disse.