
Senador diz que transferências a dono da propriedade reacendem suspeitas sobre imóvel citado em processos da Lava Jato.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a citar o caso do sítio de Atibaia em meio às investigações sobre movimentações financeiras de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em publicação nas redes sociais no domingo (8), o parlamentar afirmou que a propriedade rural voltou ao “noticiário policial”.
O comentário foi feito em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram, produzido com uso de inteligência artificial. Na gravação, o senador sugere que o episódio estaria relacionado às apurações conduzidas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
“Você lembra do Sítio de Atibaia? O sítio de Lula? Pois é. Ele voltou ao noticiário policial”, escreveu Flávio Bolsonaro na legenda da publicação.
As declarações ocorrem após a CPMI do INSS ter acesso a dados bancários de Lulinha, obtidos por meio da quebra de sigilo financeiro aprovada pela comissão. As informações apontam uma movimentação de R$ 19,5 milhões nas contas do empresário entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026.
O material também indica transferências realizadas a antigos sócios do filho do presidente. Entre elas estão 17 operações para Jonas Leite Suassuna Filho, que totalizam R$ 704 mil.
Outras 15 transferências, realizadas entre janeiro de 2024 e outubro de 2025, foram direcionadas ao empresário Kalil Bittar e somam cerca de R$ 750 mil.
Suassuna Filho é proprietário do sítio localizado em Atibaia, no interior de São Paulo, imóvel que ficou conhecido por ter sido frequentado por Lula.
A propriedade rural esteve no centro de um dos processos da Operação Lava Jato que resultaram em condenações do presidente em instâncias inferiores da Justiça Federal.
Na ocasião, Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro sob acusação de receber vantagens indevidas de empreiteiras para a reforma do sítio. A pena fixada em maio de 2020 foi de 17 anos, um mês e dez dias de prisão.
Segundo a acusação apresentada à época, obras avaliadas em cerca de R$ 1 milhão teriam sido realizadas por construtoras como Odebrecht e OAS em troca de favorecimento em contratos com a Petrobras. O presidente sempre negou irregularidades.
Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações impostas ao petista no caso do sítio de Atibaia.
A decisão foi tomada após o ministro Gilmar Mendes reconhecer a suspeição do ex-juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato contra Lula na Justiça Federal de Curitiba.
Apesar da anulação das decisões judiciais, o episódio voltou a ser citado no debate político após a divulgação de dados financeiros obtidos pela CPMI do INSS e as críticas feitas por integrantes da oposição.
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