Após bombardeios e crise diplomática, federação iraniana diz que participação no torneio "não pode ser garantida".
A escalada militar entre Estados Unidos, Israel e Irã começou a produzir reflexos também no mundo do esporte. Após dias de bombardeios que mergulharam o Oriente Médio em incerteza — e que culminaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei — surgiram dúvidas sobre a participação da seleção iraniana na FIFA World Cup 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México.
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O torneio, organizado pela Fifa, começa em 11 de junho e terá jogos em território americano — justamente o país que lidera os ataques contra o Irã ao lado de Israel. Diante desse cenário, autoridades do futebol iraniano passaram a questionar se o país terá condições políticas e diplomáticas de disputar a competição.
O presidente da federação iraniana de futebol, Mehdi Taj, afirmou à mídia estatal que o cenário atual coloca em dúvida a presença da equipe.
— Após este ataque, não podemos esperar que tenhamos esperança na Copa do Mundo — disse o dirigente, acrescentando que a decisão final dependerá das autoridades esportivas do país.
Apesar da tensão, a FIFA afirma que, até o momento, não houve mudanças no planejamento do torneio. O secretário-geral da entidade, Mattias Grafström, declarou que o objetivo é garantir uma competição segura e com a presença de todas as seleções classificadas.
Segundo fontes da organização, os planos seguem inalterados, embora a situação esteja sendo monitorada de perto.
A seleção iraniana tem três partidas programadas nos Estados Unidos: contra a Nova Zelândia em 15 de junho, no SoFi Stadium, na região de Los Angeles; contra a Bélgica em 21 de junho, no mesmo estádio; e contra o Egito em 26 de junho, em Seattle.
Questão de vistos pode complicar
Além de um possível boicote político por parte do Irã, outra incerteza envolve a política de imigração americana. O presidente dos EUA, Donald Trump, já impôs restrições à entrada de cidadãos iranianos no país. Em teoria, atletas e delegações esportivas estão entre as exceções previstas, mas decisões recentes levantaram dúvidas.
No ano passado, por exemplo, alguns delegados iranianos tiveram vistos negados antes do sorteio da Copa do Mundo. À época, o chefe da força-tarefa da Casa Branca para o torneio, Andrew Giuliani, afirmou que concessões de visto são tratadas como decisões de segurança nacional.
Especialistas avaliam que, caso Washington decida restringir a entrada da delegação iraniana, a FIFA teria pouca margem para intervir.
Os regulamentos da Copa do Mundo dão ampla autonomia à FIFA para lidar com situações desse tipo. De acordo com as regras do torneio, a entidade pode tomar qualquer decisão que considere necessária em casos de “força maior”, incluindo substituir uma seleção classificada ou alterar o formato do grupo.
Na prática, haveria duas possibilidades principais: manter o grupo com apenas três equipes ou convocar outra seleção para ocupar a vaga. A escolha de um substituto seria complexa. O Irã garantiu vaga ao vencer seu grupo nas eliminatórias asiáticas, à frente do Uzbequistão.
Entre os possíveis candidatos estariam seleções que chegaram perto da classificação, como Emirados Árabes Unidos ou Iraque. Outra alternativa seria recorrer à repescagem intercontinental, que ainda definirá uma vaga entre países como Bolívia ou Suriname.
Mesmo assim, qualquer decisão dependeria do momento em que uma eventual desistência acontecesse. Quanto mais próximo do início da Copa, maior seria o desafio logístico para substituir uma equipe.