Um dinossauro do tamanho de uma galinha foi descoberto na Patagônia argentina e está reescrevendo a história evolutiva de seu grupo. Batizado de Alnashetri cerropoliciensis, o fóssil tem 95 milhões de anos, mede apenas 70 centímetros de comprimento e pesava menos de 1 quilo. O estudo, publicado na revista Nature com apoio da National Geographic Society, revela que esses animais sempre foram pequenos, ao contrário do que se pensava.
O Alnashetri cerropoliciensis é um terópode minúsculo, com corpo leve, cabeça pequena e numerosos dentes minúsculos. Cerca de metade de seus 70 centímetros era composta pela cauda. Seus braços eram relativamente longos, com um primeiro dedo mais robusto que os outros dois e uma garra com quilha, típica de predadores.
Os pesquisadores do Conicet e da Universidade de Minnesota determinaram que se tratava de uma fêmea com pelo menos quatro anos de idade no momento da morte. O fóssil foi encontrado na formação Cerro Policia, em La Buitrera, norte da província de Río Negro, uma região conhecida por abrigar gigantes como o Giganotosaurus.
Segundo a National Geographic Brasil, o esqueleto está 95% completo, faltando apenas partes do crânio e da cauda. Isso faz dele o mais completo e menor alvarezsaurídeo já descoberto na América do Sul.
Os alvarezsauros são um grupo enigmático de pequenos dinossauros carnívoros que surgiram há cerca de 150 milhões de anos. A maioria de seus representantes foi encontrada na Argentina, Mongólia e China. Até agora, os cientistas acreditavam que seu tamanho reduzido era uma adaptação à dieta especializada em insetos, como formigas e cupins.
No entanto, o Alnashetri cerropoliciensis refuta essa teoria. Com braços longos e garras robustas, mas ainda não reduzidas como nas espécies tardias (que chegaram a ter um único dedo), ele era um predador de pequenos vertebrados e insetos, sem especialização extrema. O paleontólogo Apesteguía, do Conicet, citado pela National Geographic, resume: “Não ficaram pequenos pela dieta, sempre foram minúsculos.”
A tabela abaixo mostra como o novo fóssil se compara a outros membros do grupo, revelando a diversidade de tamanhos e adaptações ao longo do tempo e em diferentes regiões:
| Espécie | Tamanho (cm) | Dieta | Local/Idade | Destaque |
|---|---|---|---|---|
| Alnashetri cerropoliciensis | 70 | Carnívora geral | Patagônia/95Ma | Mais completo primitivo |
| Patagonykus | 100-120 | Insetívora? | Patagônia | Braço longo |
| Mononykus | 60 | Mirmecófaga | Mongólia/80Ma | 1 dedo na mão |
| Shuvuuia | 50-70 | Insetívora | Mongólia | Crânio semelhante a ave |
O Alnashetri cerropoliciensis preenche uma lacuna importante na filogenia dos alvarezsauros. Ele mostra que a América do Sul foi um centro de diversificação para esses dinossauros basais, que mais tarde se espalharam pela Ásia. Sua coexistência com titãs como o Giganotosaurus também revela a incrível diversidade de nichos ecológicos no Cretáceo.
Os pesquisadores planejam agora realizar análises isotópicas para determinar com precisão a dieta do animal. Novas escavações em La Buitrera podem revelar mais fósseis desse grupo minúsculo, mas fascinante.
La Buitrera já era conhecida por seus fósseis de dinossauros gigantes, mas o Alnashetri mostra que o ecossistema era muito mais complexo. Enquanto titanossauros e terópodes enormes dominavam a paisagem, pequenos predadores como esse alvarezsauro ocupavam nichos especializados, caçando insetos e pequenos vertebrados.
A imagem reconstruída pela National Geographic mostra um dinossauro ágil, com penas (como muitos terópodes), usando suas garras para cavar e capturar presas. A descoberta reforça a importância da Patagônia como um dos principais laboratórios naturais para entender a evolução dos dinossauros, não apenas dos gigantes, mas também dessas fascinantes criaturas do tamanho de uma galinha.