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Tudo o que você precisa saber sobre os ataques de EUA e Israel ao Irã
Tudo o que você precisa saber sobre os ataques de EUA e Israel ao Irã
28/02/2026 20h29
Por: Redação Fonte: The New York Times Company

Tudo o que você precisa saber sobre os ataques de EUA e Israel ao Irã.

 

Os Estados Unidos, com apoio de Israel, lançaram ataques contra grandes cidades do Irã, enquanto o presidente Donald Trump conclamou os iranianos a derrubarem o governo.

Os Estados Unidos e Israel lançaram neste sábado (28) uma grande ofensiva contra o Irã, que o presidente Donald Trump apresentou como uma oportunidade de mudança de governo em Teerã.

O ataque, que desencadeou ações de retaliação iranianas contra Israel e interesses americanos no Oriente Médio, veio após semanas de ameaças de Trump de que os EUA atingiriam o Irã caso a liderança do país não aceitasse as exigências de Washington, sobretudo em relação ao programa nuclear. Na quinta-feira, autoridades americanas e iranianas participaram de uma última rodada de negociações mediadas, que terminou sem avanço.

No sábado, Trump anunciou que “grandes operações de combate” estavam em curso no território iraniano. Governos ao redor do mundo pediram moderação, embora alguns, como Canadá e Austrália, tenham declarado apoio à campanha liderada pelos EUA, ao mesmo tempo em que condenaram décadas de ações agressivas atribuídas ao Irã.

Por que os EUA e Israel atacaram o Irã?

A fase mais recente de tensão começou em janeiro, quando Trump prometeu apoiar manifestantes depois que o governo iraniano usou força letal para reprimir protestos. Em mensagem gravada para anunciar o ataque na manhã de sábado, o presidente americano pediu que os iranianos “tomem o controle de seu governo” depois que a ação militar terminar.

“Nenhum presidente estava disposto a fazer o que estou disposto a fazer esta noite”, afirmou. “Agora vocês têm um presidente que está dando o que vocês querem, então vamos ver como respondem.”

É a segunda vez em menos de um ano que as Forças Armadas dos EUA atacam alvos no Irã. Em junho passado, militares americanos bombardearam três instalações nucleares no país. Agora, autoridades dos EUA disseram esperar uma ofensiva muito mais ampla.

Para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, participar dos ataques faz parte de um objetivo antigo de derrubar o governo iraniano, que ele descreve como uma ameaça existencial. Em pronunciamento na TV, Netanyahu afirmou que a ofensiva conjunta poderia “criar as condições para que o bravo povo iraniano tome seu destino em suas próprias mãos”.

Quais são os alvos?

Os ataques começaram no primeiro dia útil da semana no Irã, com relatos de explosões em várias cidades, incluindo Teerã, Qom, Kermanshah, Isfahan e Karaj, segundo a agência semioficial Fars. Em Teerã, onde vive o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, imagens mostraram espessas colunas de fumaça no céu.

Vídeos verificados pelo New York Times mostraram bombardeios em uma área de Teerã que abriga o palácio presidencial e o Conselho de Segurança Nacional, entre outros prédios importantes do governo. Outro vídeo registrou uma explosão nas proximidades do Ministério da Inteligência. O número de mortos no Irã ainda não estava claro até o fechamento deste texto.

Autoridades americanas disseram que o ataque foi conduzido por aviões de combate de bases em diferentes pontos do Oriente Médio e de um ou mais porta-aviões, com a primeira onda de ataques dos EUA concentrada em alvos militares.

O Exército de Israel afirmou que uma das missões iniciais mirou uma reunião de autoridades iranianas de alto escalão. A situação dos principais líderes do país não estava imediatamente esclarecida. Os militares israelenses também informaram que sua força aérea realizou uma ampla série de ataques a múltiplos alvos militares no oeste do Irã.

Autoridades israelenses disseram esperar que a ofensiva dure vários dias.

Como o Irã respondeu?

O Irã lançou uma série de mísseis e drones contra Israel, informou a Guarda Revolucionária em comunicado divulgado no Telegram. Teerã também disparou mísseis contra bases militares americanas na região, incluindo a base aérea de Al Udeid, no Catar; a base aérea de Ali Al Salem, no Kuwait; a base aérea de Al Dhafra, nos Emirados Árabes Unidos; e o quartel-general da 5ª Frota da Marinha dos EUA, no Bahrein, segundo a Fars.

O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos disse que destroços de mísseis interceptados caíram em um bairro residencial de Abu Dhabi, matando uma pessoa e causando danos a propriedades. A pasta informou ter conseguido interceptar vários dos projéteis lançados pelo Irã.

O Ministério da Defesa do Catar afirmou ter “frustrado com sucesso diversos ataques” contra seu território. O episódio remete a junho do ano passado, quando o Irã disparou mais de uma dezena de mísseis contra uma base militar americana próxima à capital Doha, em resposta a ataques dos EUA contra instalações nucleares iranianas.

Os países do Golfo abrigam várias bases e embaixadas dos Estados Unidos, e especialistas já vinham alertando que essas estruturas poderiam se tornar alvos de retaliação iraniana. Antes dos ataques deste sábado, os EUA haviam reforçado sua presença militar na região, em um movimento que Trump descreveu como o envio de uma “armada”.

O Irã também pediu que o Conselho de Segurança da ONU intervenha, acusando Estados Unidos e Israel de violarem o direito internacional.

c.2026 The New York Times Company