
O município de Santa Luzia do Itanhi preserva uma das mais importantes tradições religiosas do estado, sendo o local onde, há 450 anos, foi celebrada a primeira missa em terras sergipanas. Para comemorar o marco, nesta sexta-feira, dia 28, uma programação especial reuniu fé, cultura e esporte, com o apoio cultural do Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap).
O vice-governador de Sergipe, Zezinho Sobral, participou das festividades e ressaltou o valor histórico da data. “É um momento muito especial. Vemos a população comemorando, as autoridades religiosas reunidas em confraternização. Vamos orar e refletir sobre o significado desses 450 anos de história, presença religiosa e fé cristã em nossas vidas”, afirma.
Representando a Funcap no evento, o presidente do Conselho Estadual de Cultura, Pascoal Maynard, destacou a importância da celebração. “Não podia ser diferente, a Funcap está presente nesta grande comemoração para o povo de Itanhi. Esta é uma festa belíssima, que destaca a nossa cultura popular junto à religiosidade de um jeito transformador, e isso é muito positivo”, afirma.
A programação incluiu alvorada, ofício religioso de Nossa Senhora, hasteamento das bandeiras, inauguração de um monumento em homenagem à data, cortejos litúrgicos, momentos de oração e o descerramento da placa comemorativa dos 450 anos. Além disso, houve uma feira cultural e gastronômica, com apresentações artísticas exclusivamente sergipanas.
Liderança do Núcleo de Mulheres Quilombolas (Numeq) que animou o evento, Nilzete da Conceição, reforça a importância do momento. “Somos do povoado Crasto, a povoação mais antiga de Sergipe, foi muito simbólico mostrar a nossa cultura aqui, também pela questão da ancestralidade que se faz presente na história de Santa Luzia. Aqui, essa história renasce”, frisa.
No final da tarde, o momento mais aguardado, a Missa Campal presidida pelo Cardeal Sérgio da Rocha, Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil, acompanhado pelos bispos das dioceses de Estância, Aracaju e Propriá. Conforme o arcebispo de Aracaju, Dom Josafá Menezes, a cerimônia envolveu fé e memória. “Celebrar a primeira missa é recordar não apenas a história da Igreja Católica, mas também sua atuação no estado, em benefício da população e da cultura local. É uma grande alegria viver este momento”, destaca.
Entre os fiéis presentes, Maria do Carmo, de 59 anos, acompanhou toda a programação da primeira fila e se emocionou com a festa. “Um marco como esse merecia uma festa à altura, e essa está de parabéns. Foi tudo muito bonito e eu me sinto muito feliz”, pontua.
Histórico
De acordo com os registros históricos, a missa foi celebrada em 1575 pelos padres jesuítas Gaspar Lourenço e João Salônio, pertencentes à Companhia de Jesus, com a presença de colonos, soldados e indígenas tupinambás que habitavam a região. Mais tarde, no município, foi erguida uma cruz com cerca de 80 palmos e fundada a Aldeia de São Tomé.








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