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“Não houve meio cruel”, diz advogada do homem que matou namorada com tiro na testa no Recife
“Não houve meio cruel”, diz advogada do homem que matou namorada com tiro na testa no Recife
25/02/2026 19h19
Por: Redação Fonte: Agência Folha de Pernambuco

"Não houve meio cruel", diz advogada do homem que matou namorada com tiro na testa no Recife.

 

Julgamento do caso acontece nesta quarta-feira (25).

Poucos minutos após a formação do corpo de jurados que vão participar do julgamento de João Raimundo Vieira da Silva de Araújo, de 35 anos, acusado de ter matado com um tiro na testa a companheira, a administradora Renata Alves Costa, de 35 anos, a advogada Ana Paula Arruda, que faz a defesa do réu, conversou com a imprensa.

A sessão ocorre no Fórum Rodolfo Aureliano, na Ilha Joana Bezerra, na área central do Recife, nesta quarta-feira (25), a portas fechadas. O caso corre em segredo de justiça para proteger outras duas pessoas com as quais o réu teria tido contato na noite do dia 6 de agosto de 2022, quando tudo aconteceu.

 
 
 
 
 
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Segundo Ana Paula, a defesa veio a plenário para trabalhar com a redução da pena do réu. Ele está sendo julgado por cárcere privado, tentativa de cárcere privado, violência sexual, lesões corporais em contexto de violência doméstica, porte ilegal de arma de fogo e homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio.

Inclusive, quando começou a namorar com a vítima, ele usava tornozeleira eletrônica, mas ela ainda não havia visto, porque João usava calças cumpridas com frequência.

“Viemos aqui para trabalhar como foi que se deu e se foi no formato em que narra a denúncia. Nós temos aqui a obrigação de garantir o direito para minorar os danos da condenação. É fato que houve [o crime]. Nós vamos mostrar todos os elementos possíveis para demonstrar que não foi um homicídio doloso ou que ele queria matar a vítima. O Ministério Público traz como qualificadoras o meio cruel. Não houve meio cruel. Esses são os recortes que a defesa veio trabalhar para melhorar a situação de pena do João Raimundo”, explica ela.

Após negar a existência do meio cruel, a advogada foi questionada pela reportagem da Folha de Pernambuco sobre a intenção do réu em apresentar uma arma à companheira. Ela disse que aconteceu "uma tragédia" na noite do crime.

“Não é porque você efetuou um disparo de arma de fogo que você tem a intenção de matar. É justamente isso que a gente vai discutir. Como aconteceu esse disparo? Em quais condições aconteceu? É tudo isso que a gente vai discutir para mostrar aos jurados que a forma como é narrada não condiz com as provas que estão nos autos, pelo olhar da defesa”, complementou.

Ela ainda afirmou que o réu foi mostrar a arma de fogo à companheira. O objeto estava no guarda-roupa que ficava no quarto do casal, em Campo Grande, Zona Norte do Recife.

“O que eu posso trazer é que, nos cadernos probatórios, diz que não tinha intenção, porque ele não queria matar Renata. Aconteceu o crime, mas o crime não foi um assassinato. Foi uma tragédia decorrente da imperícia do réu ao utilizar uma arma”, finaliza.