
Ofensiva tem maior alcance no Nordeste, região onde popularidade do presidente é maior.
Ministros de partidos do Centrão aproveitaram a saída do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), da corrida presidencial para costurar apoios internos à tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ofensiva tem maior alcance no Nordeste, onde o chefe do Executivo é mais popular.
Tarcísio era o nome preferido de dirigentes de legendas como Republicanos, PSD, PP e União Brasil. Sem ele na disputa e com a direita se organizando em torno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do candidato que o PSD vai apresentar, auxiliares de Lula veem espaço para travar o apoio nacional do Centrão à oposição e costurar por dentro apoios de diretórios estaduais.
Juntos, esses partidos são responsáveis pelas indicações de titulares de oito ministérios e somam bancadas expressivas na Câmara e no Senado.
“Eu vou trabalhar para que o Republicanos libere os estados e não consolide apoio oficialmente a ninguém. Gostaria que o Republicanos apoiasse o presidente Lula, mas sei das dificuldades por uma questão regional. A gente tem a possibilidade de seis a oito estados. Pernambuco, Paraíba, Sergipe, Alagoas… Dependendo do cenário, o Piauí”, afirma ao GLOBO o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos).
Antes da decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro de indicar seu filho como representante na disputa pelo Palácio do Planalto, a cúpula dos partidos do Centrão já tinha começado a planejar acordos para palanques estaduais.
Os presidentes do PSD, Gilberto Kassab; do PP, Ciro Nogueira; e do União Brasil, Antonio Rueda, articulavam por exemplo o apoio de alguns pré-candidatos a governador, inclusive em estados do Nordeste.
Na mesma linha, o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, já disse a interlocutores que se o candidato fosse Tarcísio a legenda obrigaria o apoio em todos os estados, mas, sem ele, a tendência é liberar o endosso a Lula onde houver maior proximidade com o PT.
Os pré-candidatos a governador Ciro Gomes (PSDB), no Ceará; ACM Neto (União Brasil), na Bahia; e Eduardo Braide (PSD), no Maranhão, tinham uma tendência de aproximação com o Tarcísio. Agora, com a pré-candidatura de Flávio, há um distanciamento.
Na Bahia, por exemplo, havia a expectativa de que o PSD pudesse desembarcar da aliança com o PT no estado e apoiasse Tarcísio, movimento que foi freado. União Brasil e PP se encaminham para enfrentar o PT baiano, mas, ao mesmo tempo, tem demonstrado pouco entusiasmo para apoiar Flávio.
Já no Ceará, Maranhão e Pernambuco, a federação União-PP está dividida e há alas que desejam apoiar Lula. No outro polo, Ciro Gomes, ainda que tente uma aliança com o PL no estado, indicou que não deve apoiar Flávio.
“Por que eu apoiaria um camarada que não é do meu partido? O PSDB vai nacionalmente tomar a posição. O União Brasil (que abriga aliados de Ciro) vai nacionalmente tomar a posição. Então, quando tiver essa hora, você volta e a gente conversa”, pontuou em janeiro.
Se Tarcísio fosse candidato, também haveria constrangimento para que a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), pré-candidata à reeleição, desse palanque para o governador paulista, já que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, era um dos principais entusiastas da candidatura. Agora, a governadora tem um caminho livre para tentar o apoio de Lula.
Fora do Nordeste, em Minas Gerais, a ala pró-Lula do União Brasil também deverá ficar fortalecida com a possível filiação do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD). Ele se reuniu com Lula na semana passada e encaminhou a candidatura.
Mesmo que o PSD tenha candidato à Presidência, em uma lista que tem os governadores Ronaldo Caiado (Goiás), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ratinho Júnior (Paraná), a tendência é de liberar apoio a Lula em estados como Pernambuco, Bahia, Sergipe e Rio.
Da mesma forma, Tarcísio fora da disputa facilita um acordo entre o ex-presidente da Câmara Arthur Lira, um dos principais nomes do PP, com Lula. Lira deseja ser candidato ao Senado e avalia abrir palanque para o petista.
Um dos poucos palanques de Flávio no Nordeste é no Rio Grande Norte, onde o pré-candidato Alvaro Dias (Republicanos) já disse que apoiará o senador. A aliança foi articulada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio.
A maioria dos estados do Nordeste tende a ir com Lula. No PP, por exemplo, o ministro do Esporte, André Fufuca, tenta fazer com que a legenda no Maranhão esteja com o presidente.
Há proximidade também com setores do partido na Paraíba, por exemplo, onde o pré-candidato Lucas Ribeiro (PP) já falou que deseja apoiar Lula. De acordo com o presidente do PP, Ciro Nogueira, a tendência no momento é que o partido opte pela neutralidade.
Fufuca é o único representante do PP na Esplanada dos Ministérios. Do Maranhão, estado onde Lula venceu com 71,14% dos votos ante 28,87% para Bolsonaro em 2022, Fufuca trabalha para ser eleito senador com o apoio de Lula e trabalha por endossos de aliados da centro-direita.
“Trabalhamos para buscar a unidade no campo de apoiadores do presidente Lula, seja no PP ou em outros partidos. Essa unidade fortalece o projeto pela ampliação da votação que o presidente teve em 2022”, avalia Fufuca.
O PT tenta se beneficiar desse movimento e tem buscado presidentes de legendas do Centrão para aproximá-los de Lula. Como mostrou O GLOBO, o presidente do PT, Edinho Silva, se reuniu em janeiro com Ciro Nogueira e Rueda para tratar de cenários regionais e possíveis composições políticas.
No caso do União Brasil, os ministros Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Gustavo Feliciano (Turismo) também buscam apoios internos, e há um cálculo de que em torno de 20 a 25 deputados da bancada de 59 do União Brasil na Câmara possam estar com a reeleição de Lula.
No PSD, que está à frente de três ministérios, há proximidade em estados como Bahia e Sergipe, enquanto o MDB, que tem três ministros e ainda sonha com a vice, é próximo a Lula em locais como Pará e Alagoas, entre outros.
O ministro Renan Filho (Transportes) também atua para aproximar o centro da candidatura de Lula, fazendo a interlocução de alas do MDB, seu partido, e de outras siglas. A interlocutores ele reconhece, no entanto, a dificuldade de construir uma unidade em seu partido para chancelar esse apoio formal ao petista.
“O que o presidente Lula precisa construir é uma aliança que permita ele ocupar o centro, isolando a direita na extrema-direita”, conclui o ministro.
Ainda no MDB, a família Barbalho, da qual fazem parte o ministro das Cidades, Jader Filho, e o governador do Pará, Helder Barbalho, há não só articulação para que a sigla apoie Lula no estado, como também uma tentativa de aproximar o União Brasil. O presidente da Assembleia, Chicão (União Brasil), deve ser candidato a senador no estado e dar palanque para o petista.
“Eu advogo que o MDB acompanhe o presidente Lula desde o primeiro turno. É uma questão de coerência, já que o MDB tem três ministérios: Transportes, Planejamento e Cidades”, reforça Jader Filho.
Governistas, por sua vez, dizem não descartar a possibilidade de oferecer a vaga de vice na chapa de Lula para algum partido de centro em troca do apoio formal da legenda, apesar de esse movimento ser considerado delicado.
Isso porque o vice-presidente Geraldo Alckmin, do PSB, é bem-avaliado por governistas e, sobretudo, por Lula. O presidente, no entanto, tem deixado o debate correr e mantém a vice em aberto.
Política PT lança candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo
Política Um terço dos partidos explicou controle de emendas parlamentares
Política Só um terço dos partidos explicou controle de emendas parlamentares Mín. 17° Máx. 22°