
Parlamentares articulam carta em favor de André do Prado que já teria 20 assinaturas. Governador diz que denúncia contra Ramuth é ‘fofoca’.
Deputados estaduais paulistas de PL e Podemos afirmam ter recolhido ao menos 20 assinaturas para uma carta em defesa da indicação do presidente da Assembleia Legislativa (Alesp), André do Prado (PL), como candidato a vice-governador na chapa à reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos). A meta é chegar a 40 nomes em duas semanas, quando o documento deve ser formalmente entregue ao parlamentar. Ontem, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que vai pedir a vaga de vice para Tarcísio, pois o PSD já teve a vaga em 2022.
“Eu acho que é um direito nosso. Na outra eleição eu cedi para o (Gilberto) Kassab, agora é a nossa vez, e nós temos a maior bancada. Mas isso depende dele. O André seria um ótimo nome”, afirmou.
O movimento ocorre em meio à indefinição sobre o vice de Tarcísio. Outro cotado é o número 2 do Palácio dos Bandeirantes, Felício Ramuth (PSD). Na semana passada, O GLOBO noticiou uma investigação sobre ele em Andorra, sob suspeita de lavagem de dinheiro. Ontem, Tarcísio classificou o caso como “fofoca”.
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, também mantém o sonho de conseguir o posto, mas a relação dele com Tarcísio esfriou nas últimas semanas. Segundo interlocutores, o cacique do PSD não deverá ficar com a vaga.
O texto pró-André cita um “perfil conciliador” do parlamentar, que é aliado de Valdemar. A carta enumera projetos importantes para o governo aprovados na atual presidência da Alesp e que serão usados como propaganda no período eleitoral. Nos bastidores, nomes contrários à indicação de André afirmam que o PL já estaria contemplado nas eleições pelo apoio de Tarcísio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto.
A carta teria sido escrita pelo deputado Fábio Faria de Sá (Podemos). Procurado, ele não retornou. Outro articulador é Thiago Auricchio (PL). O deputado Alex Madureira (PL), que tenta colher assinaturas, afirmou que o texto será entregue a André do Prado, não diretamente ao governador, para evitar a interpretação de que Tarcísio estaria sendo pressionado:
“Não é para, de nenhuma forma, forçar o governador, ou parecer que estamos forçando (a escolher André do Prado). Ao contrário. (…) Com isso, demonstraremos que ele tem o nosso apoio para disputar a vaga de vice-governador.”
O governador Tarcísio de Freitas afirmou ontem que não comentaria a investigação do vice Felício Ramuth por suspeita de lavagem de dinheiro.
“Quem tem que comentar e já vem comentando é ele, né? Ele já deu esclarecimentos à Justiça e à própria imprensa. Não tenho mais o que falar sobre isso”, afirmou.
Mais adiante, Tarcísio disse que o caso não é novo e que os valores detectados por Andorra — e que estão na mira da investigação — estão presentes nas declarações de bens e renda da mulher de Ramuth, Vanessa, desde 2009.
“Fofoca antes de eleição sempre tem”, afirmou. “É bem antigo esse negócio, para mim, não tem nada a ver”, acrescentou o governador.
Valdemar também comentou as denúncias contra Ramuth, ao ser indagado se isso enfraqueceria o nome do vice à chapa de Tarcísio:
“Não desejo isso ao Felício, mas pode enfraquecer. Mas, independente de enfraquecer, eu acho que o Tarcísio vai querer ter com ele quem tem a maior bancada na Assembleia. Nós temos 20 deputados e vamos fazer uns 25, 26.”
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