Vestuário técnico e equipamentos representam 45% do faturamento esportivo italiano.
A medalha histórica de Lucas Pinheiro Braathen no slalom gigante em Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 colocou o Brasil no mapa da neve. Mas, na Itália, o impacto vai além do esporte: trata-se de um império industrial que movimenta quase 6 bilhões de euros (R$ 32,4 bilhões) apenas no segmento de vestuário técnico e equipamentos — 45% de toda a indústria esportiva do país.
Segundo a Associação Nacional Italiana dos Fabricantes de Artigos Esportivos (Assosport), o setor esportivo italiano fatura cerca de 13 bilhões de euros (R$ 70,2 bilhões). A neve responde por quase metade dessa engrenagem.
O epicentro desse ecossistema está concentrado em 355 quilômetros quadrados entre Monte Montello e o rio Piave, na província de Treviso. É o chamado distrito do Sportsystem, com núcleo em Montebelluna e Asolo.
Ali são produzidos:
• 65% das botas de esqui do mundo
• 80% dos calçados para motociclismo
• 25% dos patins inline globais
O distrito reúne 7.824 trabalhadores, 579 unidades produtivas e exportações que somam 1,6 bilhão de euros (R$ 8,64 bilhões). Do faturamento total, 68% vêm de calçados outdoor e botas, 19% de esquis e snowboards, e 13% de bicicletas e acessórios, afirmou a revista Forbes.
Marcas que dominam a montanha
Entre os gigantes está o Tecnica Group, com faturamento superior a 500 milhões de euros (R$ 2,7 bilhões), dono de marcas como Tecnica, Nordica, Moon Boot e Rollerblade. Ao lado dele atuam empresas como Dalbello, Aku, Garmont e Northwave.
Em Asolo são produzidos bastões e luvas da Leki, escolhidos por campeões como Mikaela Shiffrin. Em Bormio nasceu a Level Gloves, referência mundial no segmento, presente na Copa do Mundo com atletas como Federica Brignone.
Na província de Bérgamo, empresas como Kask, Las Helmets e Task lideram a cadeia de capacetes e roupas técnicas. Já no Trentino-Alto Ádige, grupos como Salewa e La Sportiva consolidaram a Itália como potência global no outdoor técnico.
Os Jogos de Milão-Cortina foram anunciados como acelerador econômico, com impacto estimado em 5,3 bilhões de euros (R$ 28,6 bilhões) e expectativa de dois milhões de visitantes. Além das pistas, o evento funciona como vitrine industrial.
Uniformes oficiais, como os da seleção italiana assinados pela EA7 Emporio Armani, simbolizam a união entre moda, design e performance. O setor une engenharia, tradição artesanal e inovação sustentável — incluindo iniciativas como o primeiro traje de esqui circular desenvolvido em parceria com o Radici Group.