O Arrastão da Quarta-Feira de Cinzas começou como manda a tradição: com espiritualidade, respeito e a palavra de Carlinhos Brown ecoando pela Barra, em Salvador. Antes de puxar o trio e arrastar os foliões no circuito Dodô, na manhã desta quarta-feira (18), o artista realizou o ritual que já virou marca do encerramento oficial do Carnaval de Salvador.
Criado por Brown em 1995, o Arrastão nasceu como homenagem aos trabalhadores da folia, cordeiros, ambulantes, equipes técnicas, e aos foliões que ainda têm energia para estender a festa por mais algumas horas. E, mais uma vez, o cantor fez questão de transformar o início do desfile em um momento de reflexão coletiva.
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Pedido de respeito e valorização dos trabalhadores
Do alto do trio, Brown começou destacando a importância de quem sustenta a cidade e o Carnaval no dia a dia. “Vamos buscar essa calma, essa paz que todo mundo quer e encontrar nesse ano o caminho que essa cidade, esse lugar, ou melhor, a primeira cidade das Américas foi designada: para alegria! Que essa alegria seja a manutenção de nossas almas e que saibamos conservá-la”, disse.
O discurso, que misturou espiritualidade e responsabilidade social, foi acompanhado em silêncio por parte do público, que logo depois respondeu com aplausos.
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“Não ao desrespeito”
Em outro momento, o artista reforçou mensagens contra a violência e a intolerância.
“Que a cada dia a gente diminua a violência que exige de nós um comportamento para dizer não. Não ao desrespeito com as mulheres, não ao descuidado com as crianças, não ao descuidado com os idosos, não ao desrespeito que se tem com aqueles que já nasceram decididos por Deus em sua sexualidade e vida. Vamos nos amar”, disse.
A fala dialoga com temas que têm sido recorrentes no Carnaval: combate ao assédio, respeito às diferenças e proteção aos mais vulneráveis.
Oração e sincretismo marcam abertura
Antes de dar início oficial ao Arrastão, Brown convidou o público para um momento de oração, conduzindo o Pai Nosso e a Ave Maria. Em seguida, encerrou com uma saudação a Oxalá, reafirmando o sincretismo religioso que marca a cultura baiana.
“Vamos em paz e que o Senhor vos acompanhe”, disse antes de subir ao trio.