Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira desfilam na primeira noite de apresentações na Sapucaí.
Os desfiles de escolas de samba do Grupo Especial no Rio de Janeiro começam na noite deste domingo (15). Neste primeiro dia, Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira passam pelo Sambódromo Marquês de Sapucaí.
Cada escola faz apresentações de cerca de uma hora e meia, com temas que passam por política, música e cultura afro-brasileira.
Os desfiles têm início previsto para as 21h45 e seguem até a manhã de segunda-feira.
A primeira escola a entrar no sambódromo é a Acadêmicos de Niterói com o enredo "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil". O tema foi desenvolvido pelo carnavalesco Tiago Martins e o enredista Igor Ricardo.
Esta é a primeira vez que a Acadêmicos de Niterói desfila no Grupo Especial, após conquistar o título da Série Ouro de 2025. A rainha de bateria da escola é a estreante Vanessa Rangeli.
A apresentação da agremiação gerou questionamentos sobre possível propaganda eleitoral antecipada, já que Lula é pré-candidato à reeleição. Além disso, a participação da primeira-dama Rosangela da Silva, conhecida como Janja, no desfile gerou divergências entre aliados do presidente.
Na sequência, Imperatriz Leopoldinense entra na avenida homenageando o cantor Ney Matogrosso. O enredo, batizado de "Camaleônico", vem para celebrar um dos mais importantes cantores da MPB, exaltando “a obra e a virtuosidade performática do intérprete de sucessos como ‘Sangue Latino’, ‘Rosa de Hiroshima’, ‘O Vira’, ‘Homem com H’ e ‘Metamorfose Ambulante’”, conforme escreveu a escola em publicação nas redes sociais.
O responsável por desenvolver o desfile que acontecerá na Sapucaí é o carnavalesco Leandro Vieiraque, que, de acordo com a agremiação, “segue em seu propósito de ancorar em seus carnavais leopoldinenses a diversidade da cultura brasileira”.
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Depois, a Portela faz o desfile com uma homenagem a Custódio Joaquim de Almeida, mais conhecido como Príncipe Custódio.
Figura histórica e espiritual do Benin, na África, ele marcou a cultura afro-gaúcha no século XIX. Ainda hoje, o homenageado é apontado como o principal responsável pela estruturação do Batuque, religião de matriz africana local.
Batizado de "O Mistério do Príncipe do Bará - A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande", o enredo assinado por André Rodrigues busca romper a centralização de narrativas afro-brasileiras no eixo Rio-Bahia, explorando assim a força da ancestralidade na região sul.
Bianca Monteiro é a rainha de bateria da escola de samba.
A Mangueira encerra a noite mostrando as tradições afro-indígenas da Amazônia ao trazer a história do Mestre Sacaca, um grande curandeiro do estado do Amapá.
"Mestre Sacaca do Encanto Tucuju — O Guardião da Amazônia Negra" será conduzido pelo carnavalesco Sidnei França, que vai para o segundo ano na verde e rosa, e pelos pesquisadores Sthefanye Paz e Felipe Tinoco.
"Evocamos a força das populações tradicionais, bebendo da sabedoria ancestral de um dos seus maiores expoentes, quem nos guia por essa Amazônia Negra do povo e do jeito Tucuju: Mestre Sacaca. Sob os pés do amapazeiro, é ele um Xamã Babalaô!", diz o texto postado nas redes sociais da agremiação.
Evelyn Bastos é a rainha de bateria da Mangueira.