
CEO Andrés Moreno revela como o uso de robôs para prática de pronúncia aumentou a satisfação dos alunos e comenta contrato de R$ 85 milhões com prefeitura de SP.
A plataforma de cursos de inglês online Open English aposta em dois motores de crescimento: apoio aos estudantes com inteligência artificial generativa e parcerias com governos na América Latina.
O modelo tradicional de curso da Open English oferece a possibilidade de que os alunos assistam aulas ao vivo com professores nativos de língua inglesa a qualquer hora, todos os dias da semana. A possibilidade de variar o horário da aula em cada semana facilita a inclusão na rotina.
Agora, é possível também fazer práticas individuais com o robô como complemento às aulas ao vivo. “A inteligência artificial funciona como um potente motor de crescimento, permitindo-nos atender mais alunos com maior escalabilidade”, afirma o CEO e fundador da Open English, o venezuelano Andrés Moreno, em entrevista à IstoÉ Dinheiro.
No novo modelo, chamado pelo CEO de “híbrido”, um aluno pode por exemplo ensaiar a pronúncia de uma palavra em paralelo a uma aula ao vivo para assim driblar a vergonha das correções em público. Moreno afirma que as aulas com IA contam com aprovação maior do que as tradicionais.
A nova ferramenta guarda similaridades com outra lançada pelo Duolingo. O CEO afirma, no entanto, que as empresas não são concorrentes diretas.
“O Duolingo e o Open English são muito complementares. Eu acredito que o Duolingo é excelente em te ensinar o básico do idioma”, diz o executivo. “Ao passo que as pessoas que vêm estudar no Open English são estudantes sérios de inglês, que precisam do idioma para sua vida, para sua carreira, suas viagens, seus estudos.”
Após anos de crescimento por meio de vendas diretas ao cliente ou para empresas, a Open English investe desde 2024 em expansão também no segmento de B2G, ou business to government, conceito em inglês para denominar a comercialização de bens e serviços para governos.
“Estamos viajando muito, conhecendo todos os governos e nos reunindo com todos os ministros da educação para mostrar que agora eles têm uma maneira muito eficiente e de baixo custo para ensinar inglês. E isso é algo realmente transformador”, diz Moreno.
A empresa oficializou sua primeira parceria do tipo no Brasil em 4 de fevereiro, com o lançamento do programa Prontos pro Mundo, do governo do estado de São Paulo. Com investimento público de R$ 85 milhões, serão disponibilizados cursos para 70 mil estudantes, que disputarão mil vagas de intercâmbio de três meses na Austrália, Canadá, Irlanda ou Nova Zelândia. O modelo já passou por um teste em 2025, no qual mil alunos fizeram o curso de inglês.
O Brasil é apenas um dos países em que a empresa assinou contratos com governos. Criado no final de 2024, o segmento estabeleceu-se com força na América Latina através de contratos com Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador e Uruguai.
O tipo de contrato varia conforme o país. Na Costa Rica, foi assinada a parceria mais ambiciosa, que pretende levar o idioma a todos com desejo de aprender a língua inglesa, com até 2 milhões de licenças para aulas distribuídas entre uma população de cerca de 5 milhões. “É um projeto grandíssimo”, afirma o CEO e fundador da empresa, Andrés Moreno.
Apesar de não abrir dados de faturamento, Moreno afirma que o segmento B2G já corresponde a cerca de 10% das receitas. Está atrás ainda dos 30% do B2B (business to business, ou seja, contratos para oferecer aulas de inglês em empresas) e os 60% do B2C (business to client, venda diretamente para o aluno).
O CEO destaca que os novos produtos dão um novo impulso aos negócios após um crescimento consistente durante a pandemia da covid-19, quando as corporações passaram a ver a Open English como uma solução econômica e efetiva. Em paralelo, a empresa investe forte em publicidade e mídia, com propagandas bem humoradas em televisão, redes sociais e até offline. Só no Brasil, serão R$ 60 milhões para campanhas de marketing em 2026.
Com presença em 40 países e mais de 500 mil estudantes, Moreno cita o Brasil, os Estados Unidos e a região do Oriente Médio como os mercados mais fortes atualmente. Conta também que a Open English também não abre mão de continuar sua expansão para novos mercados.
“Estamos definitivamente fortalecendo os mercados em que já atuamos, oferecendo novos produtos como o B2G”, diz Moreno. “Mas também vamos nos instalar em novos mercados onde não estávamos antes. E isso nos deixa muito animados. Ainda não vou mencioná-los porque ainda não os anunciamos, mas estamos trabalhando nisso.”
A operação da empresa conta com mais de 1,5 mil funcionários no mundo, sendo mais de 200 no Brasil. Emprega ainda mais de 2 mil professores nativos.
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