
Manifestação da Zona da Mata Norte reúne comunidades, preserva ancestralidade e reafirma identidade popular nos cortejos carnavalescos.
O maracatu de baque solto mantém viva uma tradição de resistência social pela ancestralidade afro-indígena e pela forte participação comunitária. Presente principalmente na Zona da Mata Norte do estado, o folguedo ganha destaque durante o carnaval, quando grupos tomam as ruas com cortejos que expressam história e identidade cultural.
Considerada um dos principais pólos do maracatu de baque solto, a cidade de Nazaré da Mata desempenha papel importante na preservação e difusão da manifestação cultural. A região concentra grande número de grupos e é reconhecida como um dos territórios onde a tradição se mantém mais forte. O Encontro Estadual de Maracatus de Baque Solto está marcado para a segunda (16) e terça-feira (17) de carnaval. O evento reúne grupos de várias cidades para celebrar a tradição afro-indígena que atravessa gerações e permanece como uma das expressões mais marcantes do ciclo carnavalesco.
Com entrada gratuita, a programação será realizada na Praça João XXII (Praça da Catedral) e representa um momento em que a tradição cultural se integra à festa popular de rua, reunindo moradores, turistas e admiradores da cultura pernambucana. Neste ano, mais de 30 grupos da Mata Norte e da Região Metropolitana participam do encontro.
A presença dos maracatus na cidade está diretamente ligada à história dos trabalhadores rurais e dos antigos engenhos de cana-de-açúcar, contexto em que a brincadeira se tornou forma de lazer e expressão cultural.
Atualmente, a Zona da Mata Norte concentra a maioria dos grupos do país, reunindo cerca de 130 maracatus ativos e mais de 13 mil integrantes.
Embora as apresentações se concentrem no período carnavalesco, a preparação para o maracatu de baque solto ocorre durante todo o ano. Os grupos realizam encontros, ensaios e sambadas, reuniões festivas com música e dança para organização da brincadeira.
Essas atividades costumam ocorrer ao ar livre, geralmente nos fins de semana, e se intensificam nos meses que antecedem o carnaval. O processo inclui a criação e recuperação de fantasias, ensaios musicais e preparação dos integrantes, preservando práticas transmitidas entre gerações.
“O maracatu tem uma particularidade que pouca gente sabe: ele começa na Quarta-feira de Cinzas, porque é quando se colocam as fantasias para secar. A partir daí, você separa o que vai aproveitar para o próximo ano, o que será remodelado e o que será doado ou descartado. Depois começa o trabalho de recuperação das fantasias. A partir de maio ou julho, já se inicia a criação de peças novas”, explica o representante da Associação de Maracatus de Baque Solto, Manoel Salustiano.
No carnaval, os cortejos apresentam personagens tradicionais, instrumentos e performances que combinam dança e musicalidade. A manifestação reúne elementos artísticos que trazem a ancestralidade e a experiência histórica das comunidades participantes.
Expressão cultural ligada à história dos trabalhadores
O maracatu de baque solto nasceu como forma de expressão dos trabalhadores da cana-de-açúcar, que encontravam na brincadeira um momento de diversão e liberdade diante da rotina de trabalho exaustiva. A manifestação carrega influências indígenas e afro-brasileiras, incluindo práticas religiosas, musicalidade própria e tradições poéticas.
Além do caráter festivo, o maracatu também traz experiências sociais e conflitos históricos vividos pelas comunidades, funcionando como espaço de afirmação cultural.
A continuidade do maracatu de baque solto ao longo do tempo está diretamente ligada à atuação de mestres, brincantes e agentes culturais responsáveis por preservar saberes e organizar os grupos. Essas lideranças transmitem conhecimentos sobre música, rituais, indumentárias e organização dos cortejos.
A participação comunitária é um dos pilares da manifestação. A tradição depende do envolvimento coletivo na preparação das apresentações, na manutenção das atividades e na formação de novos integrantes.
“A principal característica do maracatu é a comunidade. Ela precisa estar presente e gostar do maracatu. Sem a comunidade, não se faz maracatu. É a partir dela que o grupo cresce e passa a atrair pessoas de outros bairros e cidades. O maracatu precisa se identificar com sua comunidade”, afirma Manoel Salustiano.
Ao longo das décadas, o maracatu de baque solto conquistou maior reconhecimento institucional e passou por um processo de patrimonialização, sendo registrado como patrimônio cultural imaterial.
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