
Embora a leucemia seja a doença mais conhecida pela população dentre os cânceres que atingem o sangue e a medula óssea, existem outras doenças hematológicas, como o linfoma e o mieloma, que também merecem atenção. Com origens e focos diferentes, essas patologias têm em comum o fato de afetarem o crescimento e a função das células do sistema imunológico, ou seja, as defesas do organismo.
Recentemente, o beneficiário do Ipesaúde, José Cristiano de Oliveira, foi submetido a um transplante autólogo como parte do tratamento do mieloma múltiplo. Neste tipo de procedimento o próprio paciente é o doador das células-tronco. Aos 66 anos ele descobriu a doença após sentir fortes dores nas costas, que levaram à identificação de uma fratura na coluna provocada pela patologia. Além disso, apresentou outros sintomas, como perda de peso e anemia.
“Passei pelo transplante em setembro e fiquei um mês internado. Não tive praticamente nenhum sintoma. O que aconteceu foi só que o cabelo soltou um pouco quando eu passava o pente, mas não caiu todo, não fiquei careca. Também não senti dor no corpo, nem tive febre, diarreia, vômito ou tontura, nada disso”, comemora José Cristiano, destacando a raridade da situação, já que é comum que pacientes apresentem esses sintomas após um transplante.
Segundo o hematologista Lucas de Menezes, o mieloma é uma doença diferente da leucemia, pois atinge outro tipo de célula. “Também é um câncer do sangue, mas com características próprias e mais comum em adultos e idosos. A partir dos 50 anos, os casos se tornam mais frequentes, embora possamos observar alguns pacientes um pouco mais jovens. Na grande maioria das vezes, o tratamento do mieloma múltiplo envolve o transplante autólogo de medula, que é quando o próprio paciente doa as células para si mesmo. Trata-se de um procedimento mais simples quando comparado ao transplante com doador aparentado”, informa o médico.
Câncer do sangue
A beneficiária do Ipesaúde, Vanessa Melo, trata a leucemia mieloide crônica, descoberta há mais de 20 anos. Fazendo uso contínuo de medicações, ela não precisou passar por transplante e agora inicia uma nova fase do tratamento. Não se tratam de medicamentos simples: há, sim, efeitos colaterais que podem interferir em algumas atividades do dia a dia. Ainda assim é possível seguir com a rotina com qualidade de vida.
“Entramos em um protocolo novo, com acompanhamento constante e exames, para avaliar se o organismo consegue se manter sem a medicação. Estou há pouco mais de dois meses nesse processo e, no total, estou há quase quatro meses sendo acompanhada de perto. É um protocolo que já existe há algum tempo, eu preenchia os requisitos e junto com o meu médico decidimos tentar”, revela a beneficiária, mostrando que é possível controlar a doença e manter uma vida longa.
Atualmente ela é voluntária militante da causa, fazendo parte da Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale), organização que atua pela informação e conscientização a respeito destas doenças.
Diferenças
Existem diferentes tipos de leucemia, mas, de forma geral, trata-se de um câncer da medula óssea que compromete os glóbulos brancos. O linfoma, por sua vez, tem início no sistema linfático, atingindo os gânglios, estruturas fundamentais para o funcionamento do sistema imunológico e da circulação. Já o mieloma afeta as células plasmáticas da medula óssea — um tipo de glóbulo branco — e também interfere diretamente nas defesas do organismo.
Ter um mínimo de conhecimento sobre o tipo específico de patologia pode auxiliar no cuidado, é o que pensa da beneficiária Vanessa Melo. “Eu acredito que quando a gente tem informação e sabe o terreno que a gente está pisando, conseguimos ser protagonistas no nosso tratamento, conseguir tirar dúvidas com o especialista que nos acompanha e junto com ele tomar decisões. Porque muitas vezes é importante, sim, para o especialista ter um paciente que entenda o que ele está vivendo. Assim é possível dialogar com ele e tomar decisões juntos”, compartilha a voluntária.



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