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Trump prepara revogação de base científica usada para regular gases do efeito estufa

Trump prepara revogação de base científica usada para regular gases do efeito estufa

10/02/2026 às 18h06
Por: Redação Fonte: Reuters
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Trump prepara revogação de base científica usada para regular gases do efeito estufa

Trump prepara revogação de base científica usada para regular gases do efeito estufa.

 

Governo dos EUA quer anular a “constatação de perigo” da era Obama, pilar legal para limitar emissões, em movimento apontado como o maior ato de desregulamentação ambiental do país.

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve revogar nesta semana uma conclusão científica da era Obama que serve de base legal para a regulamentação federal dos gases de efeito estufa, afirmou nesta segunda-feira a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês).

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Revogar a chamada “constatação de perigo” — um parecer científico segundo o qual as emissões de gases de efeito estufa representam risco à saúde humana — removeria a base legal para uma regulamentação mais ampla dessas emissões. Na prática, representaria o mais amplo retrocesso na política climática sob Trump.

Wall Street Journal noticiou nesta segunda-feira que a revogação deverá ser publicada ainda esta semana e citou o administrador da EPA, Lee Zeldin, afirmando que a medida representaria “o maior ato de desregulamentação da história dos Estados Unidos”.

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O governo Trump vem trabalhando nessa revogação há mais de um ano. A proposta foi enviada ao Escritório de Administração e Orçamento da Casa Branca para revisão em 7 de janeiro. Divulgada no ano passado, ela recebeu mais de meio milhão de comentários do público.

Segundo funcionários do governo ouvidos pelo Wall Street Journal, a revogação eliminaria exigências regulatórias para medir, relatar, certificar e cumprir padrões federais de emissão de gases de efeito estufa para carros, mas não se aplicaria a fontes estacionárias, como usinas de energia.

Um porta-voz da EPA disse que a constatação de perigo foi usada pelas administrações Obama e Biden para “justificar trilhões de dólares em regulamentações sobre gases de efeito estufa que abrangem veículos e motores novos”.

Em 30 de janeiro, um tribunal federal decidiu que o Departamento de Energia violou a lei ao formar um grupo consultivo de ciência climática cujo relatório tinha como objetivo apoiar a revogação, pela EPA, da constatação de perigo, o que pode tornar a regra final vulnerável a contestações judiciais.

Embora muitos grupos industriais apoiem a flexibilização dos padrões de emissão para veículos, parte do setor tem relutado em manifestar publicamente apoio à anulação da constatação de perigo, diante da incerteza jurídica e regulatória que a medida pode gerar.

No mês passado, o Instituto Americano de Petróleo declarou apoio à revogação no caso dos veículos, mas defendeu que a constatação seja mantida para fontes estacionárias — o que obrigaria a EPA a regulamentar o metano, um potente gás de efeito estufa emitido pelo setor de petróleo e gás.

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