
Sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro busca desbancar o PSD e indicar o vice na corrida à reeleição.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, precisará desatar, nos próximos meses, uma série de nós com potencial para ampliar embates com o bolsonarismo na construção de sua chapa no estado.
Além da pressão para Tarcísio migrar do Republicanos para o PL, a sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro busca desbancar o PSD e indicar o vice na corrida à reeleição.
Além disso, o plano da ala mais ideológica do partido de lançar dois nomes ligados à direita bolsonarista ao Senado em São Paulo desagrada a Tarcísio, que prefere que um dos postulantes seja de centro, como forma de neutralizar a esquerda. Em outra frente, mudanças em cargos da secretaria estadual de Segurança Pública prometem gerar mal-estar com aliados de Bolsonaro.
Como mostrou O GLOBO, o movimento do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) de colocar em curso uma ofensiva para que o PL lance candidatos a governador em todos os estados pressiona o mandatário de São Paulo a trocar de partido. O governador, porém, não deseja deixar o Republicanos. Seu cálculo eleitoral é que uma candidatura pelo PL seria vista em São Paulo como mais à direita do que ele pretende se mostrar, e poderia afastar o apoio de partidos do Centrão.
Em paralelo, o PL tem intensificado ações para indicar o candidato a vice-governador na chapa de Tarcísio. A pressão aumentou após o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que é também secretário de Governo de São Paulo, anunciar a filiação ao PSD do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, então no União Brasil.
A movimentação levou o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a pleitear mais espaço no governo estadual e indicar o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), para vice. Há uma tendência, neste momento, de que o posto continue com o PSD, segundo apurou o GLOBO, com favoritismo para o atual ocupante do cargo, Felício Ramuth.
A justificativa do PL é que a legenda é a maior da Alesp e foi responsável por parte importante das realizações que Tarcísio vai exibir nas eleições, como a privatização da Sabesp, votada sob a presidência de Prado. Um aliado de Kassab avalia, porém, que a decisão sobre a vice de Tarcísio caberá exclusivamente ao governador e que “ainda é cedo para a definição”. Para esse grupo, o PL já estaria contemplado com uma vaga na disputa ao Senado, a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e a vice-prefeitura paulistana (com Mello Araújo). Caso também ficasse com a vice de Tarcísio, deixaria o PSD, um aliado de primeira hora do governador, sem espaço.
Outro aliado do governador afirma que Valdemar deseja indicar o vice porque a vaga do PL na disputa ao Senado por São Paulo não passará pelo seu crivo, uma vez que é da “cota” do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), fora do país desde março do ano passado — e antes disso postulante à vaga.
A costura para a eleição ao Senado é outro ponto de preocupação para Tarcísio. A primeira vaga está encaminhada com o deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário estadual de Segurança Pública do estado, e bolsonaristas trabalham para definir a segunda vaga, entre eles Eduardo, que tenta manter influência nos rumos da campanha paulista, e o pastor Marco Feliciano (PL). Em encontro recente com Jair Bolsonaro, no entanto, o governador expôs preferência por lançar um nome de centro na segunda vaga.
Tarcísio tem demonstrado preocupação com a possibilidade de não eleger senadores de seu grupo político em outubro, principalmente se um dos escolhidos para representar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva for o ministro da Fazenda, Fernando Haddad — a chapa majoritária pode contar ainda com o vice, Geraldo Alckmin (PSB), os ministros Simone Tebet (MDB), Marina Silva (Rede) e Márcio França (PSB). A avaliação é que uma aposta em uma dobradinha bolsonarista seria insuficiente para garantir as duas vagas e abriria espaço para a dispersão de votos no eleitorado conservador moderado.
A equação é complexa porque Eduardo Bolsonaro era dado como candidato certo nas urnas até março do ano passado, quando decidiu viajar aos Estados Unidos alegando perseguição do Supremo Tribunal Federal (STF) e articular sanções contra autoridades brasileiras com o presidente americano, Donald Trump. O parlamentar, que teve o mandato cassado por faltas, defendeu como substituto o deputado estadual Gil Diniz (PL), conhecido como “Carteiro Reaça” e um dos alvos do inquérito das fake news, e o próprio Marco Feliciano.
Há quatro anos, Feliciano foi preterido para a disputa ao Senado. O astronauta Marcos Pontes (PL), ex-ministro da Ciência, concorreu com apoio de Bolsonaro. Ele era considerado um nome mais técnico e menos ideológico, com apelo ao eleitor médio por sua trajetória. Aliados dizem que o ex-presidente teria prometido uma das vagas deste ano a Feliciano, causando novo impasse.
Na quarta-feira, Tarcísio afirmou que a escolha será feita “mais para frente” e levará em conta os dados das pesquisas eleitorais:
“Vamos fazer pesquisa, testar os nomes, para a gente ver quem tem mais aptidão para concorrer a essa segunda vaga do Senado. A gente sabe que vai ser uma eleição dura, disputada, e vamos procurar os melhores nomes para sermos muito competitivos.”
A nomeação de um desafeto público de Guilherme Derrite para a secretaria-executiva da pasta da Segurança Pública tende a ampliar as dificuldades de Tarcísio nessas negociações. A escolha de Henguel Pereira, número dois na secretaria — comandada desde a saída de Derrite pelo delegado Osvaldo Nico Gonçalves, conhecido como Nico — foi oficializada na terça-feira.
O novo secretário chegou com carta branca para mexer na Polícia Militar e já exonerou o coronel Cássio Araújo de Freitas da chefia de gabinete da pasta. Há expectativa de que nomes próximos a Derrite sejam demitidos. Desde que assumiu, Nico também promoveu trocas na Polícia Civil.
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