
Resolução divulgada pela Anvisa nesta terça-feira (3) define novas regras para cultivo da planta com finalidade medicinal.
Em um movimento histórico que promete redesenhar o cenário da saúde e do agronegócio no país, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou nesta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, a Resolução RDC nº 1.013/2026.
A nova norma estabelece as regras definitivas para o cultivo de Cannabis sativa L. em solo brasileiro, atendendo a uma determinação do STJ (Superior Tribunal de Justiça) proferida no final de 2024.
A medida encerra anos de indefinição jurídica e abre as portas para que a produção nacional de medicamentos à base de cannabis deixe de depender exclusivamente de insumos importados.
Mas, afinal, o que muda na prática e quem são os verdadeiros beneficiados por essa regulamentação?
O maior impacto imediato recai sobre o setor produtivo. Até então, as farmacêuticas instaladas no Brasil eram obrigadas a importar o extrato ou a planta de países como Uruguai, Colômbia ou Estados Unidos.
Historicamente, as associações foram as pioneiras no cultivo via decisões judiciais (Habeas Corpus). Agora, elas ganham um marco regulatório próprio.
A nova regra é vista como um "divisor de águas" para a ciência brasileira. Instituições como a Embrapa e universidades federais agora possuem um caminho claro para estudos agronômicos e clínicos.
Embora o paciente não possa plantar em casa (o cultivo doméstico individual continua proibido), ele é o beneficiário final da engrenagem.
É fundamental destacar que a resolução da Anvisa é estritamente medicinal, industrial e científica, o que não prevê uso recreativo da substância. "Não houve qualquer alteração quanto ao uso recreativo (adulto) da cannabis no Brasil, que permanece crime sob a Lei de Drogas", ressalta a agência em nota.
Além disso, vale lembrar que o plantio por pessoas físicas, mesmo para fins medicinais, ainda depende de autorizações judiciais específicas (Habeas Corpus), pois a RDC foca exclusivamente em Pessoas Jurídicas.
*Publicado por André Nicolau, da CNN Brasil
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