
Oposição bate recorde de assinaturas, mas base do governo resiste e aposta em outras frentes de investigação.
As movimentações para promover a instalação de uma CPMI para investigar as fraudes do Banco Master expôs, logo no início do ano eleitoral, uma disputa política aberta no Congresso sobre quem deve conduzir e capitalizar a apuração do caso.
Embora a oposição tenha protocolado o requerimento com número folgado de assinaturas, o avanço da comissão depende menos do regimento e mais do jogo político entre governo, oposição e presidências das Casas.
O pedido da CPMI foi apresentado por parlamentares da oposição com 280 assinaturas de deputados e senadores, acima do mínimo exigido para a criação do colegiado. O requerimento, no entanto, ainda precisa ser lido em sessão conjunta do Congresso para que a comissão seja oficialmente instalada, um passo que depende da agenda do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre. Sem essa leitura, a CPMI não sai do papel.
Nos bastidores, a iniciativa virou palco de uma disputa por protagonismo. Para a oposição, a CPMI é vista como o instrumento mais amplo para investigar o colapso do Master, seus desdobramentos no sistema financeiro e as conexões políticas do caso, na tentativa de atribuir responsabilidade do governo federal e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que até o momento, lidera as pesquisas eleitorais para uma possível reeleição.
Do outro lado, a base do governo evita aderir à CPMI proposta pela oposição e trabalha para deslocar o foco da investigação. Governistas passaram a defender alternativas, como CPIs na Câmara ou comissões já em funcionamento, sob o argumento de que a Polícia Federal, o Banco Central e o Supremo Tribunal Federal já apuram o caso. A leitura interna é que uma CPMI ampla pode se transformar em vitrine política em ano eleitoral.
Essa estratégia se reflete na preferência por outras iniciativas parlamentares. Parte da base sinalizou apoio a uma CPI na Câmara, mas essa comissão enfrenta fila de instalação e depende de decisão do presidente da Casa, Hugo Motta
Já uma CPMI alternativa, apresentada por deputadas da esquerda, ainda não reuniu assinaturas suficientes e tende a perder prioridade caso o pedido da oposição avance.
Mesmo que a leitura do requerimento ocorra, a disputa não se encerra. Após a criação formal da CPMI, abre-se prazo para que os partidos indiquem seus representantes. A não indicação de membros é um mecanismo recorrente para esvaziar comissões indesejadas, o que mantém no radar a possibilidade de a CPMI travar mesmo depois de criada.
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