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Ouro e prata reduzem perdas, mas ainda ampliam liquidação após recordes

Ouro e prata reduzem perdas, mas ainda ampliam liquidação após recordes

02/02/2026 às 11h20
Por: Redação Fonte: Bloomberg
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Ouro e prata reduzem perdas, mas ainda ampliam liquidação após recordes

Ouro e prata reduzem perdas, mas ainda ampliam liquidação após recordes.

 

Dólar forte e mudança no Fed aceleram a correção nos metais preciosos, com impulso de liquidação em ETFs e derivativos.

Os metais preciosos recuperaram parte das perdas após mais uma forte onda de vendas durante o pregão asiático nesta segunda-feira (2), enquanto os investidores avaliavam o abrupto colapso de uma alta recorde.

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O ouro à vista caiía cerca de 2,5%, após despencar 10% anteriormente, dando sequência à sua maior queda em mais de uma década na sexta-feira. A prata também recuou, depois de cair 16% anteriormente e registrar uma queda intradiária recorde na sexta-feira.

Os metais preciosos haviam atingido máximas históricas que surpreenderam até mesmo os investidores mais experientes. Uma alta já expressiva acelerou drasticamente em janeiro, com investidores comprando ouro e prata em massa devido a novas preocupações com a turbulência geopolítica, a desvalorização da moeda e as ameaças à independência do Federal Reserve. Uma onda de compras por parte de especuladores chineses impulsionou ainda mais a alta.

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No fim das contas, a posição estava excessivamente concentrada”, afirmou Robert Gottlieb, ex-trader de metais preciosos do JPMorgan Chase & Co. e atualmente comentarista independente de mercado, acrescentando que a relutância em assumir novos riscos tende a restringir a liquidez.

Os metais preciosos haviam subido a níveis recordes que surpreenderam até traders experientes. Um rali já intenso acelerou fortemente em janeiro, com investidores correndo para ouro e prata diante de novas preocupações com turbulências geopolíticas, desvalorização cambial e a independência do Federal Reserve. Uma onda de compras de especuladores chineses adicionou ainda mais fôlego à alta.

“A maioria dos compradores que já estava sentada sobre lucros tinha um pé fora da porta, pronta para sair a qualquer momento”, disse Jia Zheng, chefe de trading da Shanghai Soochow Jiuying Investment Management Co. Segundo ele, a liquidação foi impulsionada principalmente por ETFs lastreados em ouro físico, além de derivativos alavancados.

O grau em que investidores chineses aproveitarão quedas de preços será determinante para o rumo do mercado a partir daqui. Embora o preço de referência em Xangai tenha ampliado as perdas após a abertura, ainda era negociado com prêmio em relação ao preço internacional. No fim de semana, compradores lotaram o maior mercado de ouro de Shenzhen para adquirir joias e barras antes do Ano-Novo Chinês.

“A combinação de volatilidade elevada e a proximidade do Ano-Novo Lunar levará traders a reduzir posições e risco”, afirmou Zijie Wu, analista da Jinrui Futures Co. Ao mesmo tempo, especialmente no pico da temporada de compras, o recuo dos preços tende a sustentar a demanda do varejo na China, acrescentou.

Os mercados domésticos chineses ficarão fechados por pouco mais de uma semana a partir de 16 de fevereiro devido aos feriados.

O gatilho para a forte liquidação de sexta-feira foi a notícia de que o presidente dos EUA, Donald Trump, indicará Kevin Warsh para comandar o Fed, o que fortaleceu o dólar e minou o sentimento de investidores que apostavam na disposição de Trump em permitir a desvalorização da moeda. Os traders veem Warsh como o mais rigoroso combatente da inflação entre os finalistas, elevando as expectativas de uma política monetária mais restritiva, o que sustentaria o dólar e pressionaria o ouro, cotado na moeda americana.

Ainda assim, os metais preciosos já vinham se preparando para movimentos extremos, já que a disparada dos preços e da volatilidade pressionava os modelos de risco e os balanços dos traders. Uma onda recorde de compras de opções de compra — contratos que dão ao titular o direito de comprar a um preço pré-determinado — estava “reforçando mecanicamente o impulso de alta”, afirmou o Goldman Sachs Group Inc. em nota, à medida que os vendedores dessas opções eram forçados a ajustar posições comprando mais com a alta dos preços.

“Isso é uma saída em massa”, disse Ole Sloth Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank A/S. “O suporte fundamental subjacente só deve se reafirmar quando as vendas terminarem e os investidores tiverem chance de olhar novamente para frente”, afirmou.

Esse suporte fundamental, no entanto, não mudou nos últimos dias, e “os vetores temáticos do ouro seguem positivos”, escreveu Michael Hsueh, analista do Deutsche Bank AG, em nota. “As condições não parecem preparadas para uma reversão sustentada nos preços do ouro”, disse, reiterando a projeção de US$ 6.000 por onça.

No caso da prata, a intensidade da queda levou o metal abaixo de US$ 71,66 por onça, nível em que encerrou o ano passado. Ondas de capital especulativo na China contribuíram para um aperto da oferta doméstica, mas isso pode arrefecer à medida que a derrocada desestimula a demanda por investimentos, afirmou Wang Yanqing, analista da China Futures Co., em nota. “Uma vez quebrada a expectativa consensual de um rali em linha reta, a disposição dos vendidos em fazer entrega aumentará, ajudando a aliviar a escassez”, disse.

Às 8h38, no horário de Brasília, o ouro recuava 2,5%, para US$ 4.771,85 a onça. A prata perdia 1,4%, a US$ 83,99. Platina e paládio também se desvalorizaram. O Índice Bloomberg do Dólar à Vista, indicador da moeda americana, ficou estável após subir 0,9% na sessão anterior.

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