A indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tende a gerar volatilidade também nos mercados brasileiros, especialmente na bolsa. A avaliação é dos analistas Renan de Souza e Rodrigo Loureiro, do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, que apontam um ambiente global de correção de preços e maior cautela por parte dos investidores.
Na leitura dos especialistas, o movimento nos mercados internacionais já indicava um dia de ajuste, com queda nos índices americanos ainda no pré-market e perdas em outras classes de ativos, como petróleo, ouro e prata. Esse cenário costuma se refletir também no mercado acionário brasileiro, sobretudo em momentos de incerteza sobre a política monetária dos Estados Unidos.
A bolsa brasileira havia interrompido recentemente uma sequência de altas e fechado em leve queda, o que abre espaço para um novo dia de correção, em linha com o comportamento observado no exterior. Ainda assim, fatores domésticos podem atuar como contrapeso ao ambiente internacional mais adverso.
Entre esses fatores, os analistas citam os dados mais recentes do mercado de trabalho no Brasil, que mostraram queda do desemprego a níveis historicamente baixos. Esse dado pode oferecer algum suporte ao mercado acionário local, ajudando a suavizar parte da pressão externa em um dia marcado por ajustes globais.
O pano de fundo dessa volatilidade é a nomeação antecipada de Kevin Warsh para comandar o Fed a partir de maio, quando termina o mandato de Jerome Powell. Os especialistas observaram que a antecipação do anúncio pode indicar preocupação do governo Trump com um processo de confirmação mais difícil no Senado, uma vez que há resistência inclusive entre senadores do próprio Partido Republicano.
Outro ponto de atenção destacado foi a incerteza sobre o grau de independência do Fed sob a eventual gestão de Warsh. Segundo a análise, dúvidas sobre a autonomia do banco central americano tendem a aumentar a aversão ao risco nos mercados globais, afetando o fluxo de capitais para países emergentes como o Brasil.
Enquanto não houver maior clareza sobre a confirmação de Warsh no Senado e sobre sua condução à frente do Fed, o mercado deve seguir em modo defensivo, com maior sensibilidade a notícias vindas dos Estados Unidos e movimentos técnicos mais frequentes nos ativos brasileiros.