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‘Café com Notícias’: Maranhão teve queda de 25% em casos de feminicídios em 2025

A delegada Wanda Moura informou que a redução é resultado do trabalho articulado de toda a rede de proteção à mulher no estado

28/01/2026 às 12h55
Por: Redação Fonte: ALEMA
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A jornalista Elda Borges recebeu a delegada Wanda Moura no Café desta quarta-feira
A jornalista Elda Borges recebeu a delegada Wanda Moura no Café desta quarta-feira

Agência Assembleia / Foto: Kristiano Simas

O Maranhão registrou uma redução de aproximadamente 25% nos casos de feminicídio em 2024 e 2025, passando de 69 para 51 ocorrências. O dado foi destaque da entrevista com a delegada Wanda Moura Leite, chefe do Departamento de Feminicídios do Maranhão, exibida nesta quarta-feira (28), no programa Café com Notícias, da TV Assembleia.

Segundo a delegada, o resultado contrasta com o cenário nacional, que apresentou alta histórica nos índices desse tipo de crime. “Enquanto o Brasil registrou a maior taxa de feminicídios, o Maranhão conseguiu preservar 18 vidas. Isso é resultado de um trabalho articulado de toda a rede de proteção”, afirmou.

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Durante a entrevista, Wanda Moura reforçou que a maioria das vítimas de feminicídio não chegaram a pedir ajuda. “O silêncio só ajuda o opressor”, declarou. Ela explicou que a violência doméstica costuma seguir um ciclo progressivo. “Nunca é só uma vez”, alertou, destacando que, em média, a mulher permanece cerca de sete anos em uma relação abusiva antes de conseguir romper ou se tornar vítima de feminicídio.

A delegada também fez um apelo para que familiares, vizinhos e a comunidade denunciem situações de risco. As ocorrências podem ser comunicadas pelos números 190 (emergência) e 181 (denúncia anônima). “A polícia atende com prioridade total quando há risco à vida da mulher”, ressaltou.

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Questionada sobre a permanência de crenças culturais que desestimulam a intervenção em casos de violência doméstica, a delegada foi direta o apontar o machismo estrutural como fator decisivo. Segundo ela, ainda persiste a ideia equivocada de que a mulher permanece na relação porque quer. “Ela é vista como propriedade”, afirmou.

A delegada observou, ainda, que datas comemorativas, como Natal, Ano Novo e Dia das Mães, são períodos críticos, quando os casos de agressão aumentam, principalmente por ocorrerem dentro de casa.

Sororidade

Outro ponto enfatizado foi a importância da sororidade, entendida como a união entre mulheres para romper o isolamento das vítimas. “A competição entre mulheres foi ensinada culturalmente. Precisamos fortalecer a rede de apoio entre nós”, disse.

A delegada também informou que a Medida Protetiva de Urgência pode ser solicitada de forma on-line, pelos sites do Tribunal de Justiça, da Defensoria Pública ou do Ministério Público, sem necessidade de comparecimento imediato à delegacia.

Atendimento inclusivo e interiorização da rede

A Casa da Mulher Brasileira, segundo Wanda Moura, atende mulheres trans e lésbicas sem qualquer diferenciação. Em 2025, o Maranhão não registrou casos de feminicídio de mulheres trans.

No interior do estado, onde não há unidade física da Casa da Mulher, a Polícia Civil tem realizado capacitações para ampliar a rede de acolhimento. Igrejas também estão sendo envolvidas no processo. “Padres e pastores estão sendo sensibilizados para atuarem como pontos de apoio”, explicou.

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