
Senador adota discurso conciliador depois de ter antecipado conteúdo do encontro na semana passada e provocado reação de aliados do governador paulista.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou um tom mais conciliador ao comentar a visita que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fará nesta quinta-feira ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), a “Papudinha”. A declaração contrasta com a fala da semana passada, quando o próprio senador antecipou o teor da conversa entre os dois e contribuiu para o mal-estar que levou o governador a cancelar o primeiro encontro.
“Meu pai vai gostar muito de receber Tarcísio lá. Acho que vai ser bom eles baterem papo. Vai ser mais um papo entre amigos. Se depender de mim, a direita vai estar unida”, disse Flávio ao GLOBO.
A fala marca uma mudança de postura. Na quarta-feira passada, o senador afirmou que Bolsonaro diria a Tarcísio que sua prioridade deveria ser a reeleição em São Paulo e que uma candidatura presidencial estaria “descartada” para o governador.
A declaração foi lida no entorno de Tarcísio como uma tentativa de enquadramento público e ajudou a elevar a temperatura política em torno de um encontro que vinha sendo tratado como gesto pessoal de solidariedade. Horas depois, o governador cancelou a visita sob a justificativa formal de compromissos no estado.
A nova autorização para o encontro foi dada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que marcou a reunião para quinta-feira, entre 11h e 13h. Segundo interlocutores, o reagendamento busca justamente reduzir o desgaste provocado pelo cancelamento e resgatar o caráter “pessoal” da conversa, evitando que o gesto seja interpretado como ato de alinhamento eleitoral automático.
Este será o primeiro encontro entre Bolsonaro e Tarcísio desde a prisão do ex-presidente, no fim de novembro — e também a primeira conversa entre os dois após Bolsonaro ter indicado Flávio como seu pré-candidato ao Planalto, em dezembro. O movimento ocorre em meio à disputa interna no bolsonarismo sobre o desenho da sucessão de 2026 e o papel que o governador paulista deve desempenhar nesse arranjo.
Após cancelar a primeira visita, Tarcísio tentou conter especulações sobre o cenário nacional e reforçou publicamente sua posição. Em publicação no X, escreveu que é candidato à reeleição em São Paulo e que trabalha por uma “direita unida e forte”, acrescentando que visitaria Bolsonaro para prestar “apoio e solidariedade”.
Nos bastidores, aliados do governador dizem que a estratégia é não fechar portas, mas também não assumir novos compromissos agora. A orientação é empurrar para abril qualquer definição mais clara sobre o grau de engajamento na disputa presidencial, sob o argumento de que, com Bolsonaro preso e o campo conservador em reacomodação, cada gesto tem sido interpretado como sinal definitivo de alinhamento.
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