
Encontro, confirmado por Metrópoles e UOL, teria sido articulado por Guido Mantega.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em uma reunião que não foi registrada na agenda oficial da Presidência.
O encontro, confirmado pelo Metrópoles e pelo UOL, foi revelado em meio ao aprofundamento das investigações sobre um suposto esquema de venda de ativos inexistentes envolvendo o banco privado e o Banco de Brasília (BRB).
Segundo relatos de integrantes do governo, Vorcaro chegou ao Planalto acompanhado do ex-ministro Guido Mantega e do empresário Augusto Lima, ex-sócio do banco. Antes de se reunir com Lula, o grupo passou pelo gabinete de Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, chefe do gabinete pessoal do presidente e responsável direto pela organização da agenda. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência não comentou o episódio.
Também participou da reunião Gabriel Galípolo, então recém-indicado por Lula para a presidência do Banco Central, cargo que assumiria oficialmente em 1º de janeiro de 2025. Procurado, o BC informou que não se manifestaria sobre compromissos institucionais do período de transição.
De acordo com interlocutores ouvidos pelos veículos, Vorcaro utilizou o encontro para expor preocupações sobre o ambiente de mercado e a situação do Banco Master. Lula, segundo essas versões, teria afirmado que qualquer assunto relacionado à instituição deveria ser tratado exclusivamente no âmbito técnico do Banco Central, sem interferência política direta do Palácio do Planalto.
Apesar dessa orientação formal, o caso passou a gerar desconforto interno no governo. Como mostrou a Folha de S.Paulo, Lula demonstrou irritação, em conversas reservadas, com a condução do inquérito no STF, sob relatoria do ministro Dias Toffoli. Segundo O Globo, presidente e ministro chegaram a se reunir para discutir o tema, em meio a críticas ao grau de sigilo imposto ao processo.
O entorno do Banco Master também ampliou o ruído político. Vorcaro mantém relações com figuras do centrão, como o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), citado em depoimentos recentes. Já Augusto Lima tem trânsito no PT da Bahia. De acordo com relatos colhidos pela imprensa, o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, teria participado do encontro no Planalto. A Casa Civil não comentou.
As investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal apontam que o Banco Master vendeu cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB. Segundo os investigadores, a operação teria sido usada para tentar sustentar o banco privado, que enfrentava grave crise de liquidez. Ex-executivos das duas instituições já foram intimados a prestar depoimento.
O rombo potencial no BRB é estimado em R$ 4 bilhões. O episódio levou o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro, ampliando o impacto sistêmico do caso e colocando o episódio no radar do mercado financeiro.
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