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PT trata Haddad como plano A em SP e avalia que Lula avança para levá-lo à disputa

PT trata Haddad como plano A em SP e avalia que Lula avança para levá-lo à disputa

26/01/2026 às 11h00
Por: Redação Fonte: Agência O Globo
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PT trata Haddad como plano A em SP e avalia que Lula avança para levá-lo à disputa

PT trata Haddad como plano A em SP e avalia que Lula avança para levá-lo à disputa.

 

Titular da Fazenda resiste, mas partido avalia que candidatura é essencial na construção de palanque forte no maior colégio eleitoral do país.

Embora já tenha dito publicamente em mais de uma ocasião que não deseja disputar eleições em 2026, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é o plano A do PT para disputar o governo de São Paulo. Diante das resistências, o partido avalia outros cenários, mas o titular da pasta é a principal aposta da legenda para encabeçar o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no maior colégio eleitoral do país.

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Dirigentes do partido afirmam que, apesar da contrariedade do ministro, Lula tem avançado no processo de convencimento para que ele encare a campanha da qual saiu derrotado em 2022. Procurado, Haddad não se manifestou.

Em entrevista ao GLOBO,o ministro Camilo Santana (Educação) cobrou o colega de Esplanada a entrar na disputa em São Paulo. No entorno do presidente, no entanto, o cenário em São Paulo é visto como arriscado diante da boa avaliação do governador Tarcísio de Freitas, o que pode carregar votos para o candidato da chapa presidencial da oposição.

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— Haddad representa algo muito maior. Ele não pode se dar ao luxo de querer tomar uma decisão individual. Ele faz parte de um projeto de Brasil, que é liderado hoje pelo presidente Lula. A gente precisa cumprir missões que muitas vezes, pessoalmente, a gente não queira — afirmou Santana.

Haddad tem afirmado que deseja participar da coordenação da campanha à reeleição e da elaboração do programa de governo. Petistas próximos a Lula afirmam que o presidente não assumirá a postura de forçar uma ou outra opção, mas tem atuado no processo de convencimento. Também pontuam que o passar dos meses e a proximidade do pleito contarão a favor dos planos de Lula. O presidente e o ministro mantêm conversas frequentes sobre a eleição.

Defensores da entrada de Haddad na chapa lembram que em 2022, quando tentou o Palácio dos Bandeirantes, sua candidatura foi essencial para que a distância de votos entre o Lula e o então presidente Jair Bolsonaro não fosse muito grande. O PT se preocupa em manter em São Paulo o patamar de votação semelhante ao alcançado entre Tarcísio e Fernando Haddad em 2022, quando o governador venceu por 55,27% dos votos, contra 44,73% de Haddad.

Na última eleição, Lula fez 4,3 milhões a mais de votos no estado do que em 2018, quando Haddad concorreu à Presidência. Parte do entorno de Lula credita a vitória apertada do petista nas urnas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro ao desempenho do petista em São Paulo.

O tom usado por Camilo Santana agradou o PT, mas contraria o que Haddad já vinha manifestando e reiterou há uma semana em entrevista à jornalista Míriam Leitão na GloboNews. Na ocasião, ele afirmou que estava fora dos planos concorrer em 2026, mas reconheceu que pode ser chamado a reavaliar a situação.

— Não tenho nenhum problema em conversar com o PT nem com o presidente — afirmou o ministro da Fazenda.

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O Planalto tenta desenhar uma chapa forte em São Paulo, ainda sem definir quem ocuparia cada função nas cadeiras para governo, vice e as duas do Senado. O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também não deseja concorrer, é citado como uma possibilidade, assim como as ministras Simone Tebet (Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente). No caso de Tebet, ela analisa um convite do PSB para mudar de partido, já que pelo MDB é improvável uma candidatura em São Paulo associada a Lula, pela proximidade do partido no estado com Tarcísio.

Diante do cenário embaralhado em São Paulo, Camilo reforça que Haddad é parte de um “projeto nacional liderado por Lula” e que não é questão de “querer ou não querer”:

—Haddad cumpriu um papel importante em 2022 — disse Camilo — É questão de missão. Não é querer ou não querer. Muitas vezes precisamos nos colocar à disposição em nome do projeto nacional, independentemente se vamos ser vitoriosos ou não.

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