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Moraes rejeita plano de trabalho na prisão de militares condenados na trama golpista

Moraes rejeita plano de trabalho na prisão de militares condenados na trama golpista

24/01/2026 às 18h11
Por: Redação Fonte: Agência O Globo
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Moraes rejeita plano de trabalho na prisão de militares condenados na trama golpista

Moraes rejeita plano de trabalho na prisão de militares condenados na trama golpista.

 

Ministro do STF rejeitou atividades propostas pela Marinha e pelo Exército a Almir Garnier e Mário Fernandes em troca de redução de pena.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou as propostas de trabalho apresentadas pelo ex-comandante da Marinha Almir Garnier e pelo general do Exército Mário Fernandes, ambos condenados na trama golpista que também levou à prisão o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os planos previam atividades de “aperfeiçoamento” das instituições militares, o que foi considerado “inadequado” pelo magistrado diante do motivo pelo qual os dois estão presos.

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De acordo com o g1, Garnier e Fernandes solicitaram à Corte autorização para trabalhar como forma de reduzir as penas. O almirante cumpre 24 anos de prisão em uma cela na Estação de Rádio da Marinha, no Distrito Federal, enquanto o general foi condenado a 26 anos e seis meses de detenção e se encontra atualmente no Comando Militar do Planalto, em Brasília.

A proposta de Garnier, elaborada pelo Comando de Operações Navais, envolvia atividades como o estudo de tecnologias de monitoramento da Amazônia, o uso de simuladores para dimensionar a capacidade de defesa do país e a análise técnica dos procedimentos adotados na avaliação de sensores, armas, veículos e outros equipamentos da Marinha.

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“Juridicamente impossível, desarrazoável e inadequada a participação do réu em atividades diretamente relacionadas com o aperfeiçoamento das Forças Armadas, as quais desempenham papel essencial na defesa da Constituição, da soberania nacional e da estabilidade do Estado Democrático de Direito”, afirmou Moraes no despacho obtido pela TV Globo.

O almirante foi o único chefe das Forças Armadas que colocou suas tropas à disposição de Bolsonaro em uma reunião no Planalto, quando o ex-presidente tentava reverter a derrota nas eleições por meio de uma intervenção no Tribunal Superior Eleitoral. O teor do encontro foi confirmado pelos demais comandantes, Marco Antônio Freire Gomes, do Exército, e Carlos de Almeida Baptista Júnior, da Aeronáutica, em depoimento ao STF.

O ministro do STF determinou que o Comando de Operações Navais apresente outro plano de trabalho que envolva, de preferência, a área administrativa do órgão, como quer o militar. Garnier pediu ainda o acesso a obras literárias e matrícula em cursos de nível superior e profissionalizantes, atividades que, da mesma forma, servem para abater o tempo de prisão.

Já Fernandes pretendia realizar como trabalho serviços “de cunho intelectual” à Diretoria de Patrimônio Histórico e Cultural do Exército e ao Centro de Doutrina do Exército, a partir da leitura de obras históricas e pesquisas técnicas, mas também teve a proposta negada. O Comando Militar do Planalto também foi instado a refazer o plano, com enfoque na área administrativa, e submetê-lo novamento ao crivo do Supremo.

O papel do general do Exército na trama golpista foi o de elaborar um plano de assassinato contra autoridades, incluindo o próprio Moraes, junto a agentes especiais conhecidos como “kids pretos”. O documento, batizado de “Punhal Verde e Amarelo” chegou a ser impresso nas dependências do Palácio do Planalto antes da ida de Fernandes à residência oficial do presidente, o Palácio do Alvorada.

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