
A deputada estadual Dra. Taíssa (Podemos) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa de Rondônia para defender duas emendas ao Projeto de Lei 1078/2025, que trata da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. Protocoladas em conjunto com a deputada Cláudia de Jesus (PT), as propostas tinham como foco ampliar a margem de planejamento para o fortalecimento das áreas de Saúde e Segurança Pública, consideradas estratégicas para a população rondoniense.
Durante a votação, no entanto, as emendas foram rejeitadas pela maioria dos parlamentares, e a matéria acabou aprovada conforme o texto original encaminhado pelo Poder Executivo, sem alterações no orçamento previsto para 2026.

Emendas autorizativas e o papel do Legislativo no orçamento
Ao defender as propostas, Dra. Taíssa destacou que o Parlamento possui competência para contribuir com a construção do orçamento e registrar prioridades, conforme prevê a Constituição Federal (artigo 166), além das normas estaduais relacionadas ao processo legislativo.
As emendas apresentadas tinham caráter autorizativo, mecanismo utilizado no âmbito orçamentário para sinalizar prioridades e abrir espaço de previsão, permitindo que o Estado planeje ações e organize seus instrumentos de gestão financeira para atender demandas estruturais. Destacou ainda que a ausência de previsão pode, muitas vezes, ser utilizada como justificativa administrativa para adiar investimentos necessários, sobretudo em áreas que exigem respostas permanentes do estado.
Saúde e Segurança: prioridades defendidas em plenário
As emendas defendidas pela deputada previam autorizações específicas para duas áreas:
Segurança Pública: até R$ 30 milhões, com foco na nomeação e estruturação de novos servidores da Polícia Civil, incluindo delegados, agentes, escrivães, peritos e médicos legistas.
Saúde: até R$ 190 milhões, com destinação voltada à implementação do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) dos profissionais da Saúde, buscando fortalecer a permanência dos servidores, melhorar a valorização profissional e reduzir a perda de mão de obra qualificada para outros estados e municípios.

Segundo Dra. Taíssa, a intenção foi registrar no orçamento a prioridade dessas pautas e reforçar a necessidade de decisões estruturantes por parte do Poder Executivo.
Com a rejeição das emendas, o texto aprovado manteve integralmente a estrutura e os limites originalmente encaminhados pelo governo do estado para o exercício de 2026.
LOA 2026: estrutura e valores do orçamento estadual

A LOA 2026, instituída pelo Projeto de Lei 1078/2025, estima a receita e fixa a despesa do estado de Rondônia em R$ 18,6 bilhões, abrangendo os Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social.
Do total previsto, aproximadamente R$ 13,2 bilhões correspondem ao Orçamento Fiscal, destinado à manutenção da máquina pública, execução de políticas públicas e investimentos, enquanto cerca de R$ 5,4 bilhões compõem o Orçamento da Seguridade Social, que reúne ações nas áreas de Saúde, Previdência e Assistência Social.
Pronunciamento em plenário
Durante a sessão, Dra. Taíssa realizou pronunciamento na tribuna, destacando situações que, segundo ela, retratam desafios enfrentados pela população e demonstram a necessidade de investimentos e reorganização do Estado em áreas essenciais.
Entre os pontos citados, a deputada chamou atenção para a falta de estrutura na Segurança Pública, mencionando, por exemplo, a limitação de equipamentos disponíveis, além da escassez de profissionais indispensáveis ao funcionamento de serviços fundamentais. “Pessoas se humilhando para trabalhar, médicos legistas aguardando para servir o povo, delegacias prestes a fechar por falta de efetivo”, afirmou.

A parlamentar também citou números de servidores aguardando convocação, mencionando 349 escrivães, 267 agentes, 45 delegados e mais de 24 médicos legistas, além de abordar a evasão de profissionais da saúde para outros estados e municípios devido à defasagem salarial.
Mesmo com a rejeição das emendas, Dra. Taíssa afirmou que seguirá utilizando os instrumentos legislativos para manter o debate em evidência e cobrar respostas concretas do estado. “Eu não vim aqui para ser mera espectadora. Vim para o enfrentamento e para o debate. Posso ser voto vencido, mas continuarei lutando”, declarou.
Texto: Luís Gustavo I Jornalista
Foto: Thyago Lorentz | Secom ALE-RO I Divulgação e Alex Ribeiro
Política PT lança candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo
Política Um terço dos partidos explicou controle de emendas parlamentares
Política Só um terço dos partidos explicou controle de emendas parlamentares Mín. 17° Máx. 26°