
Avanço da IA não está sendo impulsionado por endividamento excessivo, mas majoritariamente por capital próprio das empresas, diz CIO da XP Asset.
A discussão sobre uma possível bolha em inteligência artificial voltou ao centro do debate nos mercados globais, mas, para Artur Wichmann, CIO da XP Inc., a comparação com grandes crises históricas exige mais cautela do que alarmismo.
Segundo ele, a principal diferença do atual ciclo em relação a 1929 e 2008 está na forma de financiamento dos investimentos. “O avanço da IA não está sendo impulsionado por endividamento excessivo, mas majoritariamente por capital próprio das empresas”, afirmou.
Na avaliação de Wichmann, episódios que se transformam em depressões têm como elemento comum a contaminação do sistema de crédito. “Toda vez que uma recessão atinge o mercado de crédito, ela vira uma depressão”, disse, ao comparar o momento atual com a Grande Depressão e a crise financeira global.
Para o especialista, mesmo que parte relevante dos investimentos em inteligência artificial se revele equivocada e gere destruição de valor, o impacto tende a ficar restrito aos acionistas, sem provocar um colapso sistêmico.
Wichmann também criticou o uso indiscriminado do termo “bolha” para descrever ciclos de forte valorização. “Se o investimento vai a zero, mas foi feito com capital próprio, o prejuízo fica com o investidor. O sistema financeiro segue funcionando”, afirmou, destacando que o risco macroeconômico surge quando há alavancagem e comprometimento do crédito.
O CIO fez suas análises na live da XP Asset no Youtube, com a participação de Fernando Genta, economista-chefe da XP Asset, e Thales Maion, Economista XP Asset Internacional.
A análise feita por Wichmann partiu de um conceito clássico de Keynes: o “tipping point”, o ponto de não retorno em que a economia deixa o equilíbrio e entra em um regime instável, como ocorreu na espiral deflacionária de 1929.
A provocação foi direta: a inteligência artificial poderia nos levar a algo parecido? A resposta foi cautelosa. O risco existe, mas o desenho atual do ciclo é distinto, justamente por não estar baseado em endividamento.
O foco então migrou para a microeconomia, acrescenta. Para ele, as grandes empresas de tecnologia, que durante anos destinaram sua montanha de caixa a dividendos e recompras de ações, passaram a redirecionar recursos para investimentos massivos em infraestrutura e desenvolvimento de IA.
A conta é simples: “Se o retorno for maior que o custo de capital, cria valor. Se for menor, destrói valor”. A incógnita de trilhões de dólares é justamente essa: qual será o retorno efetivo desses investimentos ao longo do tempo.
Os dados de mercado reforçam a mudança de dinâmica. Nos últimos anos, o Nasdaq e as gigantes de tecnologia superaram com folga os demais índices. Mais recentemente, porém, o Russell 2000, que representa empresas mais ligadas à economia “real”, passou a ter desempenho superior.
Isso pode indicar desde uma simples correção de valuations até uma reaceleração cíclica ou, ainda, a difusão dos ganhos de produtividade da IA para além das chamadas “Magnificent Seven”.
Para os analistas, esse movimento também pode sinalizar que o mercado começa a apostar que os benefícios da tecnologia não ficarão restritos às grandes plataformas, mas alcançarão um conjunto mais amplo de companhias, elevando lucros e eficiência em toda a economia.
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