
A China voltou a intensificar as críticas ao acordo comercial entre Taiwan e os Estados Unidos, firmado na semana passada, alertando que o pacto favorece Washington ao mesmo tempo em que enfraquece a base industrial da ilha.
O acordo prevê a redução das tarifas dos EUA sobre as exportações de Taiwan para 15%, enquanto Taipei se compromete a realizar investimentos adicionais de bilhões de dólares em território americano.
Peng Qingen, porta-voz do Escritório de Assuntos de Taiwan da China, afirmou na quarta-feira que o acordo “apenas drenará os interesses econômicos de Taiwan”. Ele também criticou o Partido Democrático Progressista (DPP), partido governista da ilha, por permitir que os Estados Unidos “esvaziem” sua indústria estratégica. As declarações foram traduzidas do mandarim pela CNBC.
Na semana passada, Pequim já havia declarado que se opõe “firmemente” a acordos firmados entre Taiwan e países que mantêm relações diplomáticas com a China, além de ter instado Washington a respeitar o “princípio de uma só China”.
A China considera Taiwan, que tem um governo democrático, parte de seu próprio território, e o presidente chinês Xi Jinping classifica a reunificação com o continente como uma “inevitabilidade histórica”. Taiwan rejeita essas alegações.
Pelo acordo, empresas taiwanesas farão investimentos diretos de cerca de US$ 250 bilhões nos Estados Unidos para construir e expandir operações tecnológicas, incluindo semicondutores e inteligência artificial. O governo de Taiwan também prometeu garantir US$ 250 bilhões em crédito para suas empresas de chips e tecnologia ampliarem a capacidade de produção em solo americano.
As empresas de Taiwan também terão acesso a cotas maiores para a importação, sem tarifas, de seus chips para os EUA.
Em contrapartida, Washington reduzirá as tarifas sobre a maioria dos produtos taiwaneses de 20% para 15% e eliminará taxas sobre medicamentos genéricos e seus insumos, componentes de aeronaves e recursos naturais indisponíveis no mercado doméstico.
O objetivo é transferir 40% de toda a cadeia de suprimentos de semicondutores de Taiwan para os Estados Unidos, afirmou o secretário de Comércio, Howard Lutnick, à CNBC na quinta-feira.
A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), maior fabricante de chips sob encomenda do mundo, já se comprometeu a investir US$ 165 bilhões em fábricas de semicondutores e unidades de processamento nos EUA, além de um laboratório de pesquisa e desenvolvimento. Segundo informações, a empresa planeja construir de quatro a seis novas plantas, elevando o total para mais de dez.
Na quarta-feira, Pequim afirmou que os Estados Unidos estão “usando Taiwan para conter a China”, alegando que os custos de mão de obra na fábrica da TSMC nos EUA são mais que o dobro dos registrados em Taiwan.
A TSMC não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da CNBC.
Segundo Peng, o DPP quer que a TSMC “aumente significativamente seus investimentos nos EUA, criando os chamados empregos bem remunerados para americanos, o que apenas destruirá as bases das indústrias da ilha”.
Especialistas apontam que o acordo dificilmente permitirá que Washington reduza de forma significativa sua dependência dos semicondutores mais avançados de Taiwan no curto prazo, já que Taipei mantém a política de concentrar sua tecnologia mais sofisticada no território doméstico.
Questionada sobre a declaração de Lutnick, a vice-primeira-ministra de Taiwan, Cheng Li-chiun, afirmou que a meta dos EUA de alcançar 40% de autossuficiência doméstica em chips, como prioridade de segurança nacional, não depende apenas de Taiwan, acrescentando que grandes fabricantes americanos e outros países também fazem parte do plano.
Taiwan domina a produção global de semicondutores, com a TSMC fabricando a maior parte dos chips mais avançados do mundo. Estima-se que quase um terço da demanda global por nova capacidade computacional seja atendida pela ilha.
O papel central de Taiwan na cadeia global de suprimentos de semicondutores também tornou a preservação de sua autonomia de fato diante de qualquer ataque chinês uma prioridade estratégica para os Estados Unidos e seus aliados.
O pacto aprofunda os laços da administração Trump com Taipei em um momento em que a China intensifica a pressão sobre a ilha.
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