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Acordo União Europeia e Mercosul: agora vai?
Acordo União Europeia e Mercosul: agora vai?
07/01/2026 12h38
Por: Redação Fonte: Agência O Antagonista

Acordo União Europeia e Mercosul: agora vai?.

 

Itália muda posição e abre caminho para assinatura do acordo entre União Europeia e Mercosul ainda essa semana.

A negociação do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul avança em ritmo acelerado depois de semanas de impasse entre os 27 países europeus e os quatro membros do bloco sul-americano.

O pacto, discutido há mais de duas décadas, ficou travado no fim do ano passado, quando Itália se juntou à França para se opor à assinatura prevista para dezembro, citando preocupações sobre a concorrência agrícola e a necessidade de proteção dos produtores locais.

Só que nos últimos dias, a posição de Roma mudou, com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, recebendo uma carta enviada pela Comissão propondo adiantar o apoio de 45 bilhões de euros aos agricultores, o que a fez classificar a mudança como um “passo positivo e significativo

Com isso, governo italiano deve sinalizar apoio ao acordo em uma votação que pode acontecer já nessa próxima sexta-feira, abrindo espaço para a União Europeia assinar o tratado com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai.

Esse gesto remove um dos principais obstáculos políticos para o fechamento do acordo, considerado o maior da UE em redução de tarifas em décadas

A mudança italiana é resultado de intensas negociações internas e externas. Autoridades europeias têm buscado equilibrar as demandas de agricultores preocupados com importações mais baratas e as expectativas de setores exportadores que aguardam maior acesso ao mercado sul-americano.

É nesse cenário que o acesso antecipado a fundos agrícolas do orçamento de 2028 a 2034 ajuda na busca pelo entendimento, com ministros da agricultura de vários países se reunindo hoje em Bruxelas para discutir possíveis garantias e controles de importação que atenuem os impactos domésticos.

Do lado do Mercosul, a perspectiva de um acordo firmado reforça a posição das economias latino-americanas em aumentar suas cadeias comerciais hoje muito dependentes de países como a China.

O Brasil vêm tratando o tratado como uma prioridade, para ampliar a diversificação de parceiros e reduzir as vulnerabilidades diante de tarifas impostas por terceiros, como os Estados Unidos.

Mas ainda há resistência em países europeus, especialmente na França, e em nações do leste como Polônia e Hungria. Eles querem salvaguardas maiores antes de apoiar formalmente a ratificação no Parlamento europeu.

A sequência desta semana será decisiva para determinar se o acordo entre os dois blocos, negociado há mais de 25 anos, finalmente vai sair do papel.