O Banco Central deve entregar até 12h desta sexta-feira (26) ao TCU (Tribunal de Contas da União) sua defesa técnica e jurídica sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master, em resposta a uma determinação do ministro Jhonatan de Jesus, que concedeu prazo de 72 horas para que o órgão explique os fundamentos técnicos e jurídicos da medida.
Tal medida eleva o nível de escrutínio sobre a condução do processo e coloca o BC no centro de uma disputa institucional que já respinga no ambiente de confiança do sistema financeiro.
Na cobrança, o TCU classifica a liquidação como uma “medida extrema” e aponta indícios de “cronologia atípica” nas decisões que culminaram na retirada do banco do mercado. Na prática, a Corte de Contas quer entender por que o BC acionou o instrumento mais duro do arcabouço regulatório e se havia saídas menos gravosas que poderiam ter sido tentadas antes.
O ofício encaminhado ao Banco Central pede esclarecimentos em quatro frentes:
Paralelamente, o caso ganhou tração no Supremo Tribunal Federal. O ministro Dias Toffoli marcou para terça-feira (30/12) uma acareação com Daniel Vorcaro (controlador do Banco Master), Paulo Henrique Costa (ex-presidente do BRB) e Ailton de Aquino (diretor de Fiscalização do Banco Central). A audiência foi mantida mesmo após pedido de suspensão pela PGR, segundo relatos da imprensa.
A liquidação do Banco Master ocorreu após o banco entrar no radar de investigações sobre irregularidades financeiras e suspeitas ligadas à emissão e negociação de títulos falsos, o que ajudou a transformar o episódio em um teste de fiscalização, governança e gestão de risco para o sistema.