
A China anunciou nesta terça-feira (16) a redução das tarifas antidumping sobre importações de carne suína e subprodutos provenientes da União Europeia. A decisão encerra uma apuração iniciada há um ano e sinaliza um alívio parcial nas tensões comerciais entre Pequim e o bloco europeu.
As novas tarifas, que variam de 4,9% a 19,8%, passam a valer a partir desta quarta-feira e terão duração de cinco anos, segundo o Ministério do Comércio da China. As alíquotas atingem dezenas de exportadores europeus do setor de carne suína.
Em setembro, a China havia imposto tarifas provisórias de até 62,4% na forma de depósitos em dinheiro, enquanto a investigação ainda estava em andamento. A medida foi interpretada como resposta direta às restrições comerciais adotadas pela União Europeia contra produtos chineses.
A escalada de tarifas entre China e União Europeia ganhou força após Bruxelas aplicar, em outubro do ano passado, taxas de até 45% sobre veículos elétricos importados da China. Pequim classificou a decisão como protecionista e, meses depois, iniciou o processo antidumping contra a carne suína europeia.
A União Europeia é hoje a maior exportadora mundial de carne suína, destinando cerca de 13% de sua produção anual ao mercado externo. A China é o principal destino dessas exportações, de acordo com estimativas da S&P Global, o que amplia o peso econômico das tarifas na relação bilateral.
Autoridades europeias têm alertado para o crescente desequilíbrio comercial com a China, especialmente após as tensões tarifárias com os Estados Unidos levarem exportadores chineses a redirecionar embarques para outros mercados, incluindo a Europa.
O superávit comercial da China superou a marca de US$ 1 trilhão no acumulado até novembro, segundo dados oficiais. Paralelamente, restrições chinesas à exportação de terras raras levantaram preocupações em indústrias europeias dependentes desses insumos.
Embora um acordo recente entre China e Estados Unidos tenha reduzido parte dessas incertezas, divergências permanecem. Além das tarifas sobre carne e veículos elétricos, China e União Europeia também mantêm disputas envolvendo semicondutores e controle de empresas estratégicas no continente europeu.