A PF (Polícia Federal) apreendeu R$ 90.840,00 em espécie após cumprir mandado de busca e apreensão no veículo oficial usado pelo presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Rodrigo Bacellar (União), preso preventiva nesta quarta-feira (3). Três celulares também foram apreendidos e serão submetidos à perícia.
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— CNN Brasil (@CNNBrasil) December 3, 2025
O parlamentar foi alvo da Operação Unha e Carne, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Bacellar é suspeito de ter vazado informações sigilosas da Operação Zargun, que culminou na prisão do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silvas (MDB), o TH Joias, em setembro.
Na ocasião, o ex-parlamentar foi alvo de duas operações simultâneas (Bandeirante e Zargun). No entanto, equipes da polícia não localizaram o então deputado em sua residência na Barra da Tijuca, nem em seu gabinete na Alerj. Ele só foi detido horas depois, em um condomínio de alto padrão também situado na Barra.
De acordo com a PF, Bacellar teria orientado TH Joias a fugir e destruir provas às vésperas da Operação Zargun.
A CNN Brasil apurou que Bacellar foi chamado nesta quarta-feira para uma reunião com o superintendente da PF no Rio, Fábio Galvão, e acabou preso em seguida.
A defesa de Bacellar, representada pelo advogado Bruno Borragini, alegou que não teve acesso aos autos do processo. O defensor disse ter conversado com o parlamentar, que relatou estar confiante de que a Alerj não irá referendar sua prisão.
Já em relação ao dinheiro apreendido, Borragini afirmou que os valores não constam na decisão de Moraes.
Procurada pela CNN Brasil, a Alerj informou que ainda não foi comunicada oficialmente sobre a Operação Unha e Carne.
Bacellar já ocupou o cargo de secretário de Estado no governo do Rio de Janeiro e hoje exerce mandato como deputado estadual. Em 2018, disputou uma vaga na Alerj pelo partido Solidariedade e garantiu a eleição com 26.135 votos.
Em 2021, Bacellar foi nomeado, pelo governador do Rio, Cláudio Castro (PL), para assumir a Secretaria de Estado de Governo do Rio de Janeiro, permanecendo no cargo até 2022, quando voltou às urnas, desta vez pelo PL, sendo novamente eleito com 97.822 votos. Atualmente, ele cumpre seu segundo mandato na Assembleia Legislativa, sendo, em fevereiro deste ano, reconduzido à presidência da Casa com aprovação unânime.
Após ser reeleito, ele discursou que a Alerj "se torna exemplo para o país" com sua reeleição. "Apesar das divergências e dos embates eleitorais, existem pautas que unem todos os espectros políticos", acrescentou.
Citando prioridades para seu novo mandato, Bacellar falou sobre a questão da dívida do Rio de Janeiro junto à União e a pauta da segurança pública.
Deflagrada no dia 3 de setembro, a Operação Zargun, também conduzida pela PF, investigou um esquema de corrupção envolvendo lideranças do CV (Comando Vermelho) no Complexo do Alemão com diversos agentes públicos, incluindo um delegado da PF, policiais militares, um ex-secretário municipal e estadual, além de um deputado estadual.
Segundo indiciamento, o ex-deputado teria cometido os seguintes crimes:
Além de TH Joias, também foram presos Alessandro Pitombeira Carrasena, que já ocupou cargos de secretário estadual e municipal do Rio, três policiais militares e um delegado federal, detido no Aeroporto Internacional do Galeão.
De acordo com a investigação, lideranças do Comando Vermelho no Complexo do Alemão mantinham contato direto com essas autoridades.
O CV teria se infiltrado na administração pública para garantir impunidade, acesso a informações sigilosas e facilitar a importação de armas do Paraguai e equipamentos antidrone da China, revendidos até para facções rivais.
(Com informações de Felipe Souza, da CNN, em São Paulo)