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Sétimo paciente no mundo tem remissão do HIV
Sétimo paciente no mundo tem remissão do HIV
03/12/2025 20h10
Por: Redação Fonte: Agência O Antagonista

Sétimo paciente no mundo tem remissão do HIV.

 

Após um transplante de células-tronco realizado para tratar uma leucemia mieloide aguda, o paciente interrompeu a terapia antirretroviral.

Um novo caso de remissão de longo prazo do HIV, registrado em um homem de 60 anos em Berlim, tem chamado a atenção da comunidade científica e de profissionais de saúde.

Após um transplante de células-tronco realizado para tratar uma leucemia mieloide aguda, o paciente interrompeu a terapia antirretroviral e permanece sem sinais de atividade do vírus.

O que representa a remissão do HIV nesse novo caso

A remissão do HIV é definida como a ausência de sinais detectáveis de replicação viral por um longo período, sem uso contínuo de antirretrovirais.

No paciente de Berlim, essa remissão foi observada cerca de três anos após o transplante de células-tronco e se mantém de forma estável até o momento.

Antes do transplante, o vírus estava plenamente ativo, com reservatórios virais distribuídos pelo corpo.Após o procedimento, testes de alta sensibilidade não identificaram vírus competente para replicação, o que sugere esvaziamento significativo desses reservatórios, considerados o principal obstáculo para a erradicação da infecção.

Sétimo paciente no mundo tem remissão do HIV – Créditos: depositphotos.com / foremniakowski

Como a mutação CCR5 Δ32 se relaciona à remissão do HIV

A mutação CCR5 Δ32 altera um correceptor usado pelo vírus para entrar nas células de defesa, dificultando a infecção por determinadas variantes de HIV. Pessoas com duas cópias dessa mutação costumam apresentar alta resistência, mas o caso de Berlim mostra efeito relevante mesmo com apenas uma cópia no doador.

O doador era heterozigoto para a CCR5 Δ32, e ainda assim o receptor alcançou remissão duradoura após suspender os antirretrovirais. Isso amplia o entendimento sobre a influência parcial dessa mutação e sugere que, combinada à substituição do sistema imunológico pelo transplante, ela pode contribuir de forma significativa para o controle viral.

Quais fatores além da genética ajudam na remissão do HIV

estudo publicado na Nature que a genética é apenas uma parte do quadro, e a redução intensa dos reservatórios virais é decisiva para a remissão. O transplante de medula ou de células-tronco hematopoéticas pode substituir grande parte das células infectadas e diminuir drasticamente os locais onde o HIV permanece “adormecido”.

O processo de transplante envolve quimioterapia e outros métodos de condicionamento que “limpam” o sistema sanguíneo, permitindo o desenvolvimento de um novo sistema imune, derivado do doador. Em muitos casos, esse novo sistema traz características como mutações que dificultam a entrada do vírus, criando um ambiente menos favorável à replicação viral.

  • Substituição de células infectadas por células de doador compatível;
  • Redução intensa e sustentada dos reservatórios virais;
  • Possível efeito de enxerto contra células infectadas pelo HIV;
  • Participação de mutações que dificultam a entrada do vírus nas células.

O biomédico Lucas Zanandrez divulgou, em seu canal do YouTube, informações sobre o potencial das células-tronco em transplantes:

Quem são os outros pacientes em remissão de longo prazo

O homem de 60 anos de Berlim se soma a uma pequena lista de pessoas com remissão de longo prazo do HIV após transplante. Entre os casos mais conhecidos estão o “paciente de Berlim” original, Timothy Ray Brown, e o “paciente de Londres”, Adam Castillejo, ambos tratados por câncer hematológico e acompanhados com exames altamente sensíveis.

Outros relatos incluem uma mulher tratada com sangue de cordão umbilical de um doador com mutação no CCR5, o “paciente de City of Hope”, o “paciente de Düsseldorf” e o “paciente de Genebra”, este último em remissão mesmo sem a mutação CCR5 Δ32 no material doado.

  1. Diagnóstico prévio de HIV e de câncer hematológico;
  2. Indicação de transplante de células-tronco ou medula óssea;
  3. Escolha de doador com características genéticas específicas, quando possível;
  4. Acompanhamento prolongado com exames que buscam traços mínimos do vírus;
  5. Interrupção controlada dos antirretrovirais sob supervisão médica.