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Governo deve flexibilizar meta das estatais em 2026 para acomodar rombo dos Correios

Governo deve flexibilizar meta das estatais em 2026 para acomodar rombo dos Correios

02/12/2025 às 16h17
Por: Redação Fonte: Agência Brasil
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Governo deve flexibilizar meta das estatais em 2026 para acomodar rombo dos Correios

Governo deve flexibilizar meta das estatais em 2026 para acomodar rombo dos Correios.

 

Afrouxamento evita novo bloqueio de despesas em ano eleitoral, mas eleva risco fiscal e preocupa ala econômica.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já trabalha com a possibilidade de flexibilizar a meta fiscal das estatais federais em 2026 para absorver os custos do plano de reestruturação dos Correios.

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Segundo uma apuração da Folha de S. Paulo, a avaliação interna é que, sem essa mudança, o Executivo teria de repetir em pleno ano eleitoral o bloqueio de despesas adotado em 2025, quando precisou segurar R$ 3 bilhões para compensar o déficit maior das empresas públicas.

O desequilíbrio decorre principalmente do pacote de socorro aos Correios. A estatal aprovou um empréstimo de R$ 20 bilhões com bancos públicos e privados, que financiará um amplo programa de reorganização financeira: demissões voluntárias, regularização de pagamentos atrasados, quitação de dívidas e modernização operacional.

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Embora o empréstimo entre na conta como receita financeira, e, portanto, não impacte a meta fiscal, as despesas geradas por ele são classificadas como primárias, o que pressiona o resultado das estatais.

O PLDO de 2026, enviado ao Congresso em abril, antes do aprofundamento da crise, autoriza um déficit de até R$ 6,75 bilhões para as estatais, além de R$ 5 bilhões extras para investimentos do PAC.

Interlocutores do governo afirmam ao jornal que esse valor já não é compatível com o plano de sustentabilidade dos Correios. A tendência, dizem, é elevar o limite de déficit das estatais para 2026, desde que a empresa apresente cronograma claro e compromisso firme com as medidas de reestruturação.

Ainda não há um número fechado, que dependerá das projeções atualizadas da própria estatal.

A flexibilização, porém, não é consenso. Uma ala do governo teme impacto negativo sobre a percepção de investidores, especialmente à luz do efeito sobre a dívida pública.

Embora a meta das estatais seja calculada separadamente, um déficit maior pode pressionar o indicador, num momento em que o governo busca demonstrar compromisso com o novo arcabouço fiscal. Para 2026, a meta do governo central prevê superávit de 0,25% do PIB, com margem para déficit zero.

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