
Ato reúne comunidade e sindicatos após policiais entrarem armados em unidade que realizou atividade sobre mitologia afro-brasileira.
Pais, alunos e representantes de sindicatos realizaram nesta terça-feira, 25, um protesto em frente à Escola Municipal de Ensino Infantil Antônio Bento, localizada na zona oeste de São Paulo. A manifestação é uma resposta à entrada de policiais militares armados na unidade. O motivo da ação policial teria sido uma atividade pedagógica que abordava a mitologia dos orixás, parte da cultura afro-brasileira.
O ato de repúdio teve a participação de estudantes, que exibiam cartazes pintados à mão contra a entrada de policiais em escolas. Cânticos como “Exu, Oyá, Xangô e Iemanjá, queremos a escola cheia de orixás” e “viva a educação antirracista da escola pública” foram entoados pelos manifestantes.
O incidente que motivou o protesto ocorreu no dia 11, quando o pai de uma aluna, sargento da PM, entrou na escola para exigir explicações da diretora, e contestar um desenho feito pela filha referente à atividade sobre orixás e rasgou uma parte do mural preparado pelas crianças.
No dia seguinte, quatro agentes da Polícia Militar foram armados à escola – um deles portava uma metralhadora. Eles questionaram a diretora sob a alegação de que teriam recebido uma denúncia de que a unidade estaria forçando o ensino religioso às crianças.
A comunidade educacional presente no ato defende a importância da instrução antirracista. O ator Taiguara Chagas, pai de um aluno, disse que o objetivo do ato “é uma manifestação para que isso nunca mais aconteça. O que a gente quer é que a lei seja seguida com a educação antirracista e da educação da cultura afro-brasileira”.
A mãe de uma criança de sete anos e coordenadora pedagógica, Ana Paula Martins, considerou que o evento se caracterizou pela polícia “agindo de uma forma racista, cometendo racismo institucional com a escola e sendo violenta em um ambiente feito para acolher e educar as crianças”. Ela ressaltou a relevância de se “juntar, unir e lutar pelo que reivindicamos”.
A diretora da unidade de ensino se afastou temporariamente das funções após o ocorrido, solicitando licença médica e relatando enfrentar problemas de saúde mental. Ela registrou boletim de ocorrência por ameaça contra o pai da estudante, e foi orientada sobre o prazo legal para representação criminal.
A Secretaria da Segurança Pública do estado informou que a Polícia Militar instaurou um procedimento para apurar a conduta dos agentes envolvidos. Essa apuração inclui a análise das imagens registradas pelas câmeras corporais dos policiais. A Promotoria também solicitou ao governo estadual que apresente as gravações das câmeras corporais.
A Prefeitura de São Paulo comunicou que a assistente de direção substituirá a diretora durante o período de afastamento médico. A prefeitura ainda afirmou que a escola recebe suporte do Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem, do Núcleo de Educação para as Relações Étnico-Raciais e do Núcleo de Educação Infantil.
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